Bagé terá ato contra Bolsonaro no próximo sábado

Bagé terá ato contra Bolsonaro no próximo sábado

 

Crédito das fotos: Marcelo Pimenta e Silva

Dentro das mobilizações, contra o governo do presidente Jair Bolsonaro, programadas para ocorrerem em várias cidades brasileiras, Bagé também terá ato no próximo sábado, dia 19 de junho, às 10h, na praça Silveira Martins.
O chamado “#19J Comida no prato e fora Bolsonaro” tem o apoio de representações sindicais, de movimentos sociais e estudantis, coletivos, ONG’s, partidos políticos e demais atores da sociedade brasileira que exigem além do fim do governo Bolsonaro, políticas públicas governamentais de auxílio e fortalecimento econômico para milhões de brasileiros que perderam seus empregos ou sofreram prejuízos em seus pequenos empreendimentos. O Brasil hoje soma além de cerca de meio milhão de mortos, milhões de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza.
O Expresso Pampa ouviu representantes de entidades sindicais que estão unidas em prol do ato que ocorre no sábado. O presidente do Sindicato dos Municipários de Bagé (Simba), Clodoaldo Fagundes, espera que a manifestação seja mais massiva em relação a realizada em 29 de maio. Ele alega que, a cada dia, a situação sanitária, social e econômica do Brasil tem piorado consideravelmente pelas políticas adotadas por Bolsonaro durante a pandemia.

Pautas e a realidade em Bagé

Fagundes afirma que apoiadores do governo Bolsonaro têm acusado as ações como contraditórias, pois muito das entidades da sociedade que estão protestando são unânimes em defender o cumprimento do isolamento social como forma de combate à pandemia. Todavia, o sindicalista reforça que, neste momento, há muitas pessoas que continuam trabalhando, se infectando em seus locais de trabalho ou no próprio transporte coletivo, e isso ocorre em todas as cidades, inclusive nas médias e pequenas. E pelo aumento da crise com elevado número de óbitos para covid-19 e a escalada da miséria, pautas como acesso à saúde; à vacina e ao auxílio emergencial mínimo de R$ 600,00 tornaram-se demandas vitais para a sociedade brasileira. “Eu costumo dizer que quem quer ver a realidade de Bagé precisa sair do centro da cidade e ir para as periferias. Indico que vão ao fundo do Habitar Brasil, ao fundo da Vila Damé, às periferias do município para conhecer a realidade do povo que passa fome, que não tem água, não tem esgoto, nem luz ou gás, esse último caríssimo porque subiu de novo recentemente. Sendo assim, a nossa defesa é intransigente a esses setores mais explorados da sociedade e, para isso, infelizmente, em um momento cruel do ponto de vista sanitário, deve-se sair às ruas porque não podemos ficar morrendo em casa deixando que o trem da história passe, e ele passa uma vez só e nossa tarefa é lutar ao lado das trabalhadoras e dos trabalhadores”, ressalta.

Ato realizado na praça Silveira Martins (a do coreto) no dia 29 de maio

Luta contra retirada de direitos
O sindicalista aponta que a mobilização também tem como enfoque discutir questões como a PEC 32, a da chamada Reforma Administrativa, que é observada como mais um ataque ao funcionalismo público federal, estadual e municipal. “Não estamos alheios a isso e o sindicato se propõe a defender os servidores públicos do município, assim como as entidades sindicais do Estado e da União. Pois é tarefa nossa colocarmos à frente dessa luta porque é inadmissível que, nesse momento grave para o Brasil, se retire mais direitos da classe trabalhadora, afinal já sofremos com a terceirização, com a Reforma da Previdência e a Trabalhista”, afirma.

Críticas a Divaldo Lara
No último ato realizado em maio, as representações também criticaram a gestão do prefeito Divaldo Lara. O prefeito, desde o pleito de 2018, é ardoroso defensor da política realizada por Bolsonaro, mesmo que no começo da pandemia, entre os meses de março e abril do ano passado, tenha adotado uma postura que ia ao oposto da apregoada pelo presidente, com semanas de fechamento ao comércio, toque de recolher, fiscalização intensa e barreiras sanitárias nos acessos à cidade. No entanto, mesmo com o aumento no número de óbitos, desde o final do ano passado, Divaldo Lara passou a descartar qualquer tipo de restrição mais intensa em Bagé. “Estamos em uma cidade com mais de 250 óbitos e temos um prefeito alinhado ao bolsonarismo, a uma gestão em que o presidente até hoje defende a cloroquina, a ivermectina, ozônio anal, spray nasal, entre outras medidas sem comprovação científica como maneira de tratamento precoce ao coronavírus”, analisa o sindicalista.

Manifestação contou com a participação de muitos jovens que protestaram contra o governo Bolsonaro

Mesmo com decreto municipal, ato irá ocorrer

Clodoaldo acredita que o ato da manhã deste sábado deverá reunir mais participantes se comparado com o realizado em maio. “Sabemos que há o decreto municipal que restringe aglomerações, mas ele também proibiria aglomerações em bares e restaurantes e demais locais, mas as pessoas estão fazendo festa, estão sem máscaras, então a gente espera que o governo entenda isso e se não entender terá que fazer alguma ação, e nós estamos preparados para isso. Bar noturno continua aberto, as pessoas continuam a frequentar esses estabelecimentos, muitas sem máscaras em ambientes fechados. E nós estaremos em local aberto, com máscaras e em distanciamento, porque é inadmissível que nesse momento a gente fique sem lutar”, declara.

“Contaminação em rebanho”

Quem também está com expectativa positiva para o ato deste sábado é o coordenador do Sindicato dos Técnico-Administrativos em Educação da Universidade Federal do Pampa (Sindipampa), Eduardo Chagas. “Acredito que cada vez mais as pessoas estão se convencendo de que, neste momento, ninguém gostaria de estar nas ruas, mas que para sairmos dessa situação, a saída passa pela mudança de governo federal. É evidente que o governo federal é o principal agente dessa destruição que está acontecendo no país. Ele apostou numa contaminação em massa porque não é imunização de rebanho é contaminação de rebanho. Vendeu e deu publicidade abertamente de remédios que não têm eficácia; gastou dinheiro público com esses medicamentos e tudo isso vai piorando a crise social e econômica do Brasil”, detalha Chagas.
O sindicalista reforça que o ato será muito bem organizado como o anterior, com todas os participantes com máscaras, com pedidos de distanciamento entre as pessoas. “Já estamos com uma resposta muito positiva que demonstra que o ato deste sábado será muito maior, mais contundente”, comenta o representante do Sindipampa.

Impactos na Unipampa e na comunidade bageense

Eduardo Chagas aponta que para a educação, no caso da Unipampa, a universidade teve um corte no orçamento em 2021 de cerca de 20% e essa redução não se trata apenas de um percentual, mas, sim, um fator que incorre em demissão de funcionários terceirizados, menos aquisição de produtos para serem usados pela instituição. “É toda uma cadeia que é atingida o que gera mais resseção, desemprego e em uma cidade como Bagé, onde não há muitas oportunidades, essa redução no orçamento da Unipampa atinge as diversas famílias que trabalham na universidade, como as prestadoras de serviço, ou até mesmo o pessoal que vende alimentos para quem trabalha na instituição, ou seja, todo um elo da sociedade é atingido”, repercute o sindicalista.

Pauta das reivindicações vai além da queda do presidente, mas também por valorização da saúde, do funcionalismo, da vacina e de mais apoio econômico às classes atingidas pela pandemia

Ação vai além de ideologias
Chagas reitera que nesse momento dramático na história do Brasil a população entenda que a gestão do atual presidente da República está causando a perda de empregos e a morte de brasileiros. “Derrubar esse governo está muito além de ser uma pauta da esquerda ou de uma direita. Acredito que seja uma pauta de quem tem responsabilidade ética perante a vida do outro e com a condução do país. Por isso, eu acredito que o ato deste sábado será ainda mais forte do que o ocorrido em maio”, projeta o dirigente do Sindipampa.
O “#19J Vacina no Braço e Comida no Prato – Fora Bolsonaro” tem o apoio do Simba, Sindipampa, Sinasefe, Sintae, Sindicom, Sindijus, Adefers, Sindicato dos Metalúrgicos, PT, Psol, PSTU, PCdoB, PCB e PSB. Os organizadores ressaltam que os participantes deverão estar com máscaras; levar álcool em gel, fazer o distanciamento social no ato e também, se quiserem, levar seus cartazes. Também é solicitado, caso os participantes possam, levar um quilo de alimento não perecível que será doado para famílias necessitadas.

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