Campanha “Setembro Verde: Doe vida” visa conscientizar sobre a doação de órgãos

Campanha “Setembro Verde: Doe vida” visa conscientizar sobre a doação de órgãos

Setembro Verde é a campanha de conscientização sobre a doação de órgãos, que reúne esforços do Ministério da Saúde e de ONGs voltadas ao tema.

A data, instituída pela Lei nº 11.584/2.007, visa conscientizar a sociedade sobre a importância da doação e, ao mesmo tempo, fazer com que as pessoas conversem com seus familiares e amigos sobre o assunto. Apesar da ampliação da discussão do tema nos últimos anos, trata-se ainda de um assunto polêmico e de difícil entendimento, resultando em um alto índice de recusa familiar.

Um estudo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) identificou três motivos principais para essa alta taxa de recusa, que não ocorre só no Brasil: incompreensão da morte encefálica, falta de preparo da equipe para fazer a comunicação sobre a morte e religião.

A legislação em vigor determina que a família será a responsável pela decisão final, não tendo mais valor a informação de doador ou não doador de órgãos, registrada no documento de identidade.

Conforme a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), as filas de espera para receber um órgão ainda são longas e o número de doações é inferior à demanda.

Segundo dados do Ministério da Saúde, em 2018, foram realizados 26.518 transplantes. Destes, 8.853 foram de coração, fígado, pâncreas, pulmão e rim (sendo este último o com maior número, 5.999); 14.778 de córnea; e 2.877 de medula óssea. Do total de transplantes realizados no País, 96% foram pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que destinou R$ 1.036 bilhão para esse fim.

Lista de espera

Segundo dados da ABTO, a lista de espera, em 2018, contava com 32.716 pessoas. Destas, 21.962 esperavam por um rim, enquanto 8.574 estavam na fila do transplante de córnea.

Informações do Registro Brasileiro de Transplantes e Estatísticas de Transplantes indicam que, no primeiro trimestre de 2019, mais 7.974 pacientes entraram para a lista e 806 faleceram enquanto aguardavam a cirurgia.

Por isso, conscientizar a população sobre a importância de ser um doador de órgãos é fundamental para equilibrar essa conta. Mas os desafios são grandes: rejeição das famílias em doar, desconhecimento sobre o assunto e o curto tempo entre a retirada do órgão e sua implantação.

Corrente do bem

Muitas ações são desenvolvidas para reverter esse quadro, e a campanha Setembro Verde tem papel decisivo, pois traz o assunto à tona e fornece todas as informações necessárias à população.

Um dos locais para sua divulgação são os hospitais, onde é possível alcançar um número maior de pessoas, o que facilita a propagação das informações.

Além deles, profissionais de saúde, clínicas particulares, laboratórios e tantos outros agentes podem se unir à campanha e somar esforços, na esperança de que a população se solidarize e participe do movimento, dando mais esperança de vida a quem espera por uma doação.

Dúvidas:

Doador Vivo

A pessoa maior de idade e capaz juridicamente pode doar órgãos a seus familiares. No caso de doador vivo não aparentado é exigida autorização judicial prévia.

Quais órgãos/tecidos podem ser obtidos de um doador vivo?

Um dos rins, parte do fígado, parte da medula e parte dos pulmões.

Quem pode doar em vida?

O médico deverá avaliar a história clínica da pessoa e as doenças prévias. A compatibilidade sanguínea é primordial em todos os casos. Há também testes especiais para selecionar o doador que apresenta maior chance de sucesso.

Quais os órgãos/tecidos podem ser obtidos de um doador não vivo?

Órgãos: rins, coração, pulmão, pâncreas, fígado e intestino.
Tecidos: córneas, válvulas, ossos, músculos, tendões, pele, veias e artérias.

Quem recebe os órgãos/tecidos doados?

Após efetivada a doação, a Central de Transplantes do Estado é comunicada e através do seu registro de lista de espera seleciona seus receptores mais compatíveis.

Quem é o potencial doador não vivo?

São pacientes assistidos em UTI com quadro de morte encefálica, ou seja, morte das células do Sistema Nervoso Central, que determina a interrupção da irrigação sangüínea ao cérebro, incompatível com a vida, irreversível e definitivo.

Capa Comunidade Solidariedade