Cerca de 50% das mortes violentas na região são oriundas do tráfico de drogas

Cerca de 50% das mortes violentas na região são oriundas do tráfico de drogas

A investida contra as quadrilhas de tráfico de drogas provoca um efeito de migração da criminalidade.

O acirramento das disputas entre grupos criminosos envolvidos no tráfico de drogas no Rio Grande do Sul ainda é apontado como o principal fator para a elevação dos assassinatos. Não é diferente na região da Campanha, pois os números apontam que grande parte dos homicídios têm ligação direta com o tráfico de entorpecentes.

O delegado titular da 9ª Delegacia de Polícia Regional do Interior, Luís Eduardo Sandim Benites, relata que a temática de tráfico de drogas e homicídios, no momento, é o precursor na causa das mortes violentas. “Cerca de 50% dos casos são em virtude da disputa de pontos de droga. Mas também tem outra parcela que envolve crimes passionais, situações de feminicídio e questões patrimoniais”, salienta.

Benites informa que na atual conjuntura, os crimes decorrentes de tráfico de drogas são acionados justamente pela questão de mercado – oferta e procura. “Os grupos que traficam, desenvolvem uma atividade econômica que é sustentada pelo consumo das substâncias e pela disputa dos consumidores. Notadamente, as pessoas que estão envolvidas nesse comércio, que é clandestino e por isso ilegal, pois trata com substâncias que são lesivas a saúde humana. Essas pessoas em várias nuances, têm proporcionado disputas territoriais por espaços. Muitas vezes, um traficante invade o espaço do outro e isso acaba gerando situações de violência e o cometimento de crimes. Além disso, há um problema relacionado com o tipo de público que eles atendem. Alguns deles não tem condições de manter o vício. Com isso, muitos compram e não pagam e por isso são executados. É um mercado que não admite que haja dívida sem pagamento. Outra questão, é que consumidores acabam se tornando pequenos traficantes para manutenção do vício”, destaca.

A violência representa uma das principais causas de morte na população de 15 a 49 anos de idade. Os jovens do sexo masculino correm mais riscos para homicídio doloso, enquanto as mulheres correm mais riscos para a violência doméstica. O perfil da violência no Brasil segue a tendência mundial: maior concentração nas regiões metropolitanas, mais frequentes nas populações menos favorecidas, maior incidência no sexo masculino, predominantemente, na faixa etária entre 15 e 49 anos.

A seguir, acompanhe dados de 2015 a 2020, nas cidades de Candiota, Bagé, Hulha Negra, Dom Pedrito e Pinheiro Machado.

Candiota – Na Capital do Carvão em 2015 e 2017 não aconteceu mortes violentas ligadas ao tráfico de drogas. Já em 2016, ocorreu 1; 2018 (1) e 2019 (1).

Dom Pedrito – Conforme dados oficiais, na Capital da Paz, em 2015 aconteceu 1 homicídio ligado ao tráfico de entorpecentes; em 2016 (3); 2017 (3); 2018 (2); 2019 (3) e 2020 (3).

Pinheiro Machado –  Nos anos de 2015 e 2016, não ocorreram mortes violentas com ligação ao tráfico em Pinheiro Machado. Já em 2017(1); 2018(2); 2019(1) e 2020 (1).

Hulha Negra – O número de mortes violentas ligadas ao tráfico de drogas em Hulha Negra foi em 2015 (1) e 2017 (1). Nos anos de 2016, 2018, 2019 e 2020 não houve homicídio com essa ligação.

Bagé – Na Rainha da Fronteira, de 2015 a 2020 aconteceram 77 mortes violentas. Destas, 39 foram ligadas ao tráfico de entorpecentes. Isso significa que mais da metade dos homicídios na cidade tiveram ligação com o tráfico.

A investida contra as quadrilhas de tráfico de drogas provoca um efeito de migração da criminalidade. Isso porque os bandidos cometem outros crimes violentos em busca de dinheiro após terem a estrutura de suas organizações criminosas afetadas pelas ações policiais focadas nas finanças destes grupos criminosos. Assim, o traficante que tem sua droga apreendida busca comprar nova droga. E para isso, vai assaltar, vai cometer um furto, um roubo. As quadrilhas têm se articulado, inclusive, com o roubo de veículos, que são utilizados para a troca por drogas em outros países.

 

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