Com mais de 250 óbitos e aumento nos casos de covid, Prefeitura publica decreto

Com mais de 250 óbitos e aumento nos casos de covid, Prefeitura publica decreto

Crédito: Marcelo Pimenta e Silva

Na semana em que o Gabinete de Crise do Governo do Estado divulgou alerta para a região de Bagé, devido à alta nos casos confirmados para covid-19 e, o aumento no número de óbitos, a administração municipal emitiu um decreto nesta sexta-feira, dia 11 de junho.

O decreto foi assinado pelo prefeito em exercício, Mário Mena Kalil e estabelece como medidas a proibição do consumo de bebidas alcoólicas em espaços públicos; proibição da permanência em praças e parques; proibida a realização de eventos como rodeios, shows, festas e afins.

Números preocupantes apontados pelo Estado

A decisão por publicar o decreto foi feita após o município ter 48 horas dada pelo Governo do Estado para apresentar um plano de ação, visto que o alerta foi emitido na quarta-feira, dia 9. Os motivos que levaram ao Executivo estadual enfatizar a necessidade de medidas de restrição para o município se deu porque Bagé apresentou uma incidência de 414,7 casos confirmados por 100 mil habitantes na semana passada, o que representa um aumento de 32,8% se comparado à anterior. Com essa média, Bagé se tornou a quarta maior entre as 21 regiões Covid-19 do Rio Grande do Sul na primeira semana de junho e a superior em 48,8% à média estadual. A taxa de mortalidade de Bagé, conforme o Governo do Estado é a sexta maior do Rio Grande do Sul na semana passada com 41,1% superior à média estadual. Também pesou para o alerta, o fato de que o número de internados em leitos clínicos tenha crescido mais de 15%. Em se tratando de vacinação, Bagé tem pouco mais de 10% de percentual de pessoas imunizadas com a segunda dose, o que faz o município ser o menor em proporção das 21 regiões no Estado.

Divaldo Lara, recentemente, refutou tomar medidas restritivas como as adotadas no ano passado Crédito: Divulgação/Expresso Pampa

 

Prefeito descartou intensificar restrições

Esses números preocupantes surgem em um momento no qual o prefeito de Bagé, Divaldo Lara, é irredutível quanto à tomada de medidas mais restritivas para frear o avanço do vírus. Há poucos dias ele se manifestou via a assessoria de comunicação da Prefeitura de Bagé, de que mesmo que ocorra uma terceira onda do vírus no município, o Executivo não adotará restrições como fechamento do comércio ou outras medidas mais severas. Vale ressaltar que no ano passado, no período quando eclodiu os casos de covid-19 no Brasil, em especial nos meses de março e abril, após um surto de covid-19 no hospital da Santa Casa de Caridade, Divaldo Lara decidiu por medidas de fechamento do comércio, instalação de barreiras sanitárias, fiscalização mais recrudescida e até toque de recolher. Na época, Bagé não tinha óbito algum para a pandemia. Nesta sexta-feira, o município, até às 17h, já somava 256 óbitos.

O Expresso Pampa entrou em contato na quinta-feira com a secretária de Saúde do município, Adriana Simões Pires. O veículo de comunicação gostaria de um posicionamento da titular da saúde sobre quais as medidas que o Município adotaria levando em conta o estado de alerta divulgado pelo Governo do Estado. Também foi perguntada à secretária sobre as reclamações da comunidade de Bagé sobre questões como a realização de festas com música ao vivo, muitas ocorridas em estabelecimentos comerciais no próprio centro da cidade, bem como aglomerações clandestinas que seguem ocorrendo. Inclusive, muito desses fatos repercutem nas redes sociais. Até o fechamento desta reportagem, a secretária não se manifestou ao repórter Marcelo Pimenta e Silva.

Promessa de aumento na fiscalização

Contudo, a Assessoria de Comunicação do governo municipal encaminhou release em que reitera que será intensificada a fiscalização em Bagé. No texto é declarado que a Vigilância em Saúde tem intensificado as fiscalizações noturnas em bares e restaurantes. Conforme o comunicado, as ações têm o propósito de evitar que os protocolos sanitários sejam desrespeitados e, assim, o comércio destes setores possam manter suas atividades. A iniciativa tem o acompanhamento da Brigada Militar.

Ações de fiscalização são feitas com apoio da Brigada Militar Crédito: Audrin Quadros/Comunicação Prefeitura de Bagé/ Expresso Pampa

Desde ontem (quinta-feira) estamos atuando nos bares e restaurantes que promovem música ao vivo. Este trabalho da Vigilância visa também contribuir com um dos setores que foi muito afetado pela pandemia. Durante a noite, uma viatura da Vigilância fica em frente dos estabelecimentos e entra nos locais a cada vinte ou trinta minutos. Para controlar o distanciamento, o uso de máscara e evitar que as pessoas fiquem em pé, porque hoje está permitido música ao vivo, mas não pista de dança”, afirmou o coordenador da Vigilância em Saúde, Geraldo Gomes.

Música, carros e aglomerações na praça da Estação e entorno do Centro Administrativo flagrados em 1º de maio Crédito: Marcelo Pimenta e Silva

Vale ressaltar que o próprio Expresso Pampa já noticiou casos de aglomerações em pleno centro da cidade. Como a registrada na madrugada do dia 1º de maio, em pleno largo do Centro Administrativo.

Situação na Santa Casa

Administrador detalha o atual momento da instituição no combate à pandemia Crédito: Cristiano Lameira

O Expresso Pampa entrou em contato com o administrador da Santa Casa, Raul Vallandro, para saber como está o panorama de enfrentamento à covid no maior hospital de Bagé. Ele detalhou que o número de leitos cadastrados junto ao SUS para atendimento à covid-19 é de 34 leitos de unidade de internação, além de uma UTI de 19 leitos, sendo que oito são cadastrados para o covid. “Nós estamos com uma ocupação alta, já estivemos no mês de março com uma ocupação muito maior, tanto em UTI quanto em Unidades de Internação. Nós estamos sempre atendendo a mais do que esses oito leitos cadastrados na UTI, colocando leitos de outras patologias dentro da UTI para atender a covid. No auge da segunda onda, em março, de estar com os 19 leitos da UTI com pacientes de covid, mesmo que estejam só oito cadastrados, não se limita a isso, acabamos atender mais do que o necessário”, pondera o administrador.

Vallandro refuta acusações que têm sido destacadas nas redes sociais de que está faltando leitos de UTI e que houve casos de pessoas que foram a óbito por não conseguirem leitos para tratar a covid. “Tivemos, sim, em momentos anteriores, a lotação máxima de nossos leitos, dos 34, com ocupação total em relação às unidades de internação covid. Mas não agora. De dois meses para cá, o Hospital Universitário também está com, agora, 20 leitos de internação, pois lá não tem UTI covid, e isso tem ajudado bastante e que tem dado uma folga para nossas unidades de internação Covid na Santa Casa. A situação é muito dinâmica porque chega pacientes de outros municípios ou de Bagé”, declara o administrador sobre a variação no número de internados na instituição de saúde.

Sobre os óbitos cujo número aumentou nos últimos dias, tendo uma média maior do que a registrada em 2020, Vallandro explica que, muitas vezes, os pacientes chegam à UTI em uma situação bastante grave. “Pacientes com comorbidades, às vezes em uma condição muito grave, o que não tem, infelizmente, muito o que fazer, mas é verdade que também estamos recebendo pacientes até sem comorbidades que estão indo a óbito, o que parece ser uma nova característica do vírus. Todavia esse número de óbitos, mas também de pacientes que dão alta da UTI, está ficando numa mesma média dos outros hospitais do Estado. Aqui na região Sul do Estado, nós estamos com índices um pouco abaixo do que a média no sentido em comparação a outros hospitais no que se refere a óbitos. Embora também tenhamos um percentual de curados muito positivo na comparação com os demais hospitais”, descreve o administrador da Santa Casa de Bagé.

 

 

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