De que tipo de democracia e liberdade trataram os protestos do 7 de setembro?

De que tipo de democracia e liberdade trataram os protestos do 7 de setembro?

Nesta semana em virtude do feriado, não realizamos nossa live do “Mate e Cidadania”, mas mesmo assim, nossa coluna está aqui, presente, já que a cidadania foi exercida por milhões de brasileiros no dia de ontem, convocados por cidadãos e por lideranças políticas (muitos corruptos) e principalmente pelo Presidente da República, Jair Bolsonaro, onde uma multidão composta de trabalhadores, pessoas de bem ou de mal, corruptos, religiosos, ateus e todas as outras classificações possíveis atribuídas ao ser humano, foram as ruas, garantidos pela democracia e liberdade existente em nosso País para protestar contra uma suposta falta de democracia e de liberdade, contra a corrupção (dos outros), por intervenção militar, dissolvição dos Poderes Legislativo (que é eleito democraticamente pelo povo) e o Supremo Tribunal Federal (STF). Uma minoria também pedia ditadura militar ou do proletariado e outros, ainda em menor número, pediam atitudes do governo para aquisição de vacinas contra a COVID, fornecimento de comida e geração de emprego.

Porém, a pergunta que fica é: que tipo de liberdade de expressão e independência as pessoas que foram as ruas desejam? A corrupção que se é contra é só a dos adversários políticos?

Eu me sinto totalmente livre para fazer e dizer o que bem entender, dentro de uma organização social, que é regida por Leis, feitas pelo Poder Legislativo ao longo do tempo, e, que me cabe cumprir ou caso discorde, buscar através dos meios Legais, concorrendo a cargo público ou votando em quem acredito que possa fazer as mudanças que desejo.

Se a liberdade e independência protestatadas são por não concordar com a Legislação, cabe informar que o único sistema que não há Leis a serem cumpridas, é no anarquismo, até onde eu sei, inexistente no mundo. Somente um anarquista e/ou criminoso não cumpre decisões judiciais e a legislação.

Porém, sabemos que o principal motivo de protesto é contra o Supremo Tribunal Federal (STF), sob a alegação de que ocorre uma interferência desse Poder no Poder Executivo, como uma espécie de “ditadura do STF”.

Pois bem. Eu concordo que os integrantes do  STF não são daqueles que passam uma confiança a população, mas não porque estão interferindo no governo com decisões judiciais, até porque sempre fizeram isso em todos os governos. Mas sim por decisões que favorecem poderosos, principalmente políticos, como a anulação dos processos do então criminoso Lula ou na demora em julgar o caso das rachadinhas do Flávio Bolsonaro, por exemplo.

Mas dizer que o STF não permite a livre manifestação, por que está prendendo apoiadores do atual governo, como o corrupto condenado e preso, Roberto Jefferson do PTB, não pode ser argumento, até porque já fez ou permitiu que fizesse isso com seus opositores, inclusive o maior deles, as vésperas da eleição democrática que elegeu Bolsonaro. Outro ponto, é que todos os presos até agora cometeram crimes contra a honra e ameaça, e, não apenas expressaram sua opinião, o que é muito diferente.

Mas se o problema é o STF, me parece faltar competência e habilidade política ao atual presidente para modificar a Corte através de Lei como, por exemplo, foi feito em 2015 com a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da bengala, que aumentou a idade para que os ministros deixassem o cargo no STF, passando de 70 para 75 anos. Aliás, é importante dizer que Bolsonaro, Onix Lorenzoni, Afonso Hamm, Luiz Carlos Heinze, entre outros deputados daquela época e hoje aliados do atual presidente, votaram a favor desse aumento de idade.

Desta forma, por que não propor e trabalhar a base no Congresso para aprovar uma nova mudança para 65 anos, por exemplo, ou outra idade que garanta uma rotatividade? Por que não alterar a forma de indicação dos Minstros, dar tempo de mandato, entre outras opções?

Assim, o que se viu na verdade, foi o mais do mesmo endeusamento de uma figura política, além de os argumentos usados pelos Bolsonaristas serem os mesmos usados pelos Lulistas há anos como, por exemplo, globolixo/globo golpista; a culpa é do STF/a culpa é do Moro; Bolsonaro não é corrupto/Lula não é corrupto; CPI conduzida por corruptos não pode ser levada a sério/impeachment conduzido por corrupto é golpe e assim por diante. Ou seja, esses líderes são exatamente iguais nos atos e nos argumentos que reproduzem à massa de seguidores.

Por isso é extremamente importante que se pare de tratar político como autoridade e celebridade, e se passe a tratá-los como empregados, funcionários públicos que são, pagos por nós, com nossos impostos, e, que se não corresponderem aos nossos anseios, não renovemos através do voto, o contrato deles que vence a cada 4(quatro) anos.

Por fim, segunda estaremos de volta com a nossa live do “Mate e Cidadania”,no meu facebook e no do Expresso Pampa, às 19h30min.

Até lá, e um mate e saúde a todos!

Colunista