Escola de Samba Pérola Negra: há nove anos fazendo alegria dos lavrenses

Escola de Samba Pérola Negra: há nove anos fazendo alegria dos lavrenses

A Escola Estadual de Ensino Fundamental Desembargador José Bernardo de Medeiros, de abrangência da 13ª Coordenadoria Regional de Educação, marca o carnaval de Lavras do Sul há nove anos. Desde 2013, através do Programa Escola Aberta, criou a escola de samba Pérola Negra. Com o lema “Educação e diversão, essa é a intenção”, a instituição é protagonista na vida dos alunos e da comunidade que vive no município.  Criada pela diretora, que está há mais de duas décadas a frente da escola, Maria de Lourdes Moreira Marques, conhecida pelo apelido Fifina e a Presidente do Círculo de Pais de Mestres, à época, Neuza Maria Munhoz de Moura.

A escola de samba é composta por aproximadamente 160 integrantes, sendo 30 componentes da bateria, comandada pelo mestre Flávio Renato Pereira Leal.

Conforme Fifina, a partir do início da escola aberta, muita gente se integrou na instituição. Na ocasião, foi montada uma oficina de percussão onde o oficineiro foi o Leal, que está até hoje.

Ela conta, que a escola de samba reuniu pessoas da periferia, como forma de diversão para as crianças. “A Escola Aberta é para toda comunidade, temos participantes da bateria: dos bairros e do centro e também, de outros blocos que se juntaram a nós”, salienta.

Atualmente, o programa conta com seis oficinas nas áreas de dança, percussão, culinária, artesanato e futebol.

A fundadora frisa que um dos momentos mais marcantes durante a caminhada foi em 2018 quando o enredo do bloco tratou sobre o tema de inclusão “Educamos para a paz com cuidado e atenção”.  Na ocasião, uma das passistas era uma cadeirante, que integra a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE). “Uma menina com quase 40 anos”, comenta Maria.

“Se tu estás vivo já é um motivo” – Assim, que a Neuza define a sua participação dentro do Programa Escola Aberta. A Fisioterapeuta de 64 anos, salienta que os sonhos iniciaram ainda como estudante da escola José Bernardo de Medeiros. Ela tinha facilidade de escrever e acabou compondo o Hino da Pérola Negra “o amor é a maior lição que nos faz acreditar”. Depois, foi presidente e responsável por vários sambas de enredo. “Tinha muita coisa que a gente não sabia. Era preciso um projeto, uma música e eu disse: tudo bem a letra eu faço. Fomos para Caçapava do Sul e ganhamos com o hino”, lembra.

Hoje afastada da escola por não ter mais filhos na instituição, destaca que ao vir para o local relembrou de várias passagens que vivenciou. “Quando eu digo que quero, que posso, ai que acontece. Eu me concentro e faço o que vem de dentro é uma coisa pura, provavelmente a letra eu acerto”, enfatiza.

Segundo a Neuza, a escola José Bernardo de Medeiros venceu o Encontro de Artes e Tradição Gaúcha (Enart) enquanto era presidente e também trouxe 58 troféus no Festival Gaúcho Estadual Estudantil (Fegaes).

Do Acordeom a Percussão

O mestre de bateria destaca que iniciou ensaiando a banda da escola em 2014. Depois, passou para o projeto Pérola Negra compondo as melodias dos sambas. “Foi um desafio até porque eu sou músico desde os 6 anos, meu instrumento é acordeom. Participo de grupos nativistas e conjunto de baile”, disse Leal.

Leal informa que conta com algumas parcerias nas composições como Maria Esther Teixeira, que é responsável pelas letras e ele as melodias baseadas no enredo do ano.

Festa e alegria

A professora de Educação Física, Carmem Lilia Pires Teixeira da Silveira, 50 anos está na escola há quatro anos. Ela destaca que aprendeu a tocar caixeta por causa dos alunos e hoje é uma forma de engajamento com eles. “É uma oportunidade para gente que gosta de carnaval participar, e para os alunos, disciplina”, relata Carmem.

   

Fantasias

A responsável pelas roupas de toda escola é Gislaine Figueiredo da Costa, 50 anos. Confeiteira por profissão ela costuma dizer: “Sabe, eu disse que era costureira e o povo acreditou”, brinca.

Ela fazia todos os figurinos da banda, inclusive as cortinas do barracão, sala de aula onde são confeccionadas as fantasias. Gislaine precisou se afastar durante a pandemia, mas relata que sente falta do “vuco, vuco”. “A tia Gislaine que penteava, costurava e para isso, saia de casa com o quite básico para as apresentações”, recorda.

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