Fórum questiona impacto da pecuária nas mudanças do clima

Fórum questiona impacto da pecuária nas mudanças do clima

Em que medida o gado é responsável pela emissão de gases de efeito estufa? É isso o que o 14º Fórum Florestal discutiu nesta quinta-feira (10/03), durante a Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque. O diretor técnico da Emater/RS, Alencar Rugeri, fez a abertura do evento.

Pesquisadores, autoridades e produtores rurais participaram do fórum, promovido pela Emater/RS-Ascar, vinculada à Secretaria da Agricultura Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), Cotrijal, Embrapa Florestas, Ageflor, Sindimate/RS, Sindimadeira/RS, Ibramate, Programa Gaúcho para a Qualidade e a Valorização da Erva-mate e Associação Brasileira de Criadores de Devon e Bravon (ABCDB).

Para começar, a pesquisadora da Embrapa Florestas (PR), Josileia Zanatta, explicou que mudança climática é a variação do clima da terra no longo prazo, ao longo de décadas. O que causa a mudança climática, portanto, é a intensificação do efeito estufa natural, devido à emissão de certos gases. Internacionalmente, os principais gases reconhecidamente causadores de efeito estufa (GEEs) são o dióxido de carbono (CO2), o metano (CH4) e o gás óxido nitroso (N2O). China, Estados Unidos, Rússia e Brasil seriam os maiores emissores de gases de efeito estufa. No Brasil, os setores que mais emitem esses gases seriam, em ordem decrescente, o setor de mudança do uso da terra, agropecuário, energético, processos industriais e resíduos. “Ainda hoje, os combustíveis fósseis respondem pela maior parcela de gases emitidos a cada ano”, disse Josileia.

Na mesma linha, a pesquisadora da Embrapa Pecuária Sul (RS), Márcia Teixeira Silveira, também recusou a ideia de que o gado é um vilão, pelo fato de o animal emitir gases de efeito estufa (metano CH4), principalmente por eructação (o popular arroto). Com base em pesquisas, foi comprovado que técnicas conservacionistas – recuperação de pastagem, manejo do pastejo, Integração Lavoura Pecuária (ILP), Integração Lavoura Pecuária Floresta (ILPF) – são úteis para a produção de animais a pasto, de forma sustentável.

“Um olho no gado a pasto e outro no meio ambiente é uma forma que usei para tentar chamar atenção dos produtores, técnicos, extensionistas sobre a importância de se ter um olhar holístico para o sistema de produção animal a pasto, dentro desta temática de mudança climática onde o gado é visto como vilão”, disse a pesquisadora Márcia. “Os dados de pesquisa mostram que não podemos generalizar a produção animal a pasto. Quando se adotam técnicas conservacionistas é possível se ter uma produção animal de forma sustentável”, resumiu a pesquisadora da Embrapa.

INOVAÇÃO
Para valorizar a carne sustentável, produzida no Brasil, a Embrapa tem registrada no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi) a tecnologia Carne Carbono Neutro (CCN). Conforme o pesquisador da Embrapa Florestas, Vanderley Porfírio da Silva, a Carne Carbono Neutro está associada à produção de carne bovina produzida em sistemas de integração silvipastoril ou agrossivilpastoril. Nesses sistemas, o volume de emissão de gases de efeito estufa seriam compensados pelas árvores, implantadas no sistema de produção. As árvores absorvem o gás carbônico (CO2), causador do efeito estufa, e liberam oxigênio (O2).

Para fechar, o extensionista rural da Emater/RS-Ascar, Ilvandro Barreto de Melo, destacou a importância do gado na cultura e na economia do Rio Grande do Sul. “A pecuária foi a primeira atividade de importância econômica no nosso Estado e nos dias de hoje ela também tem uma importância econômica fundamental”, resumiu Melo.

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