Impactos do fim do auxílio emergencial na região

Impactos do fim do auxílio emergencial na região

Para amenizar a situação de pobreza, as prefeituras terão que se reunir com congressistas e governadores para melhorar as políticas de assistência social e reverter algumas decisões.  

O auxílio emergencial foi criado com objetivo de reduzir o impacto da pandemia da Covid-19 na economia, em especial no bolso das pessoas mais pobres. Porém, apesar da continuidade da pandemia o benefício foi encerrado pelo Governo Federal. Podendo ainda voltar a ser pago, mas em valor abaixo do que o liberado no início. Com a virada do mês de março e a recente declaração do presidente Jair Bolsonaro de que o auxílio emergencial terá quatro parcelas de R$ 250. A expectativa é de que a primeira parcela da nova rodada seja liberada este mês. O formato dos novos pagamentos ainda não foi anunciado oficialmente. Matéria publicada no jornal Tribuna do Pampa.

A estimativa de economistas é que o fim do benefício já impacta diretamente em 63 milhões de pessoas, que passam a viver próximos à linha de pobreza absoluta. Outras 20 milhões passarão a viver abaixo disso, na extrema vulnerabilidade social. Em um cálculo aproximado, são quase 40% de todos os brasileiros vivendo próximos ou abaixo da linha da extrema pobreza.

Mas o fim do auxílio emergencial começa a preocupar não apenas quem depende do benefício. É que sem o dinheiro no bolso, as famílias também deixam de consumir bens e serviços. Dessa forma, o comércio também é impactado, pois o dinheiro deixa de circular. Com a economia parada, a tendência é de ainda mais corte de empregos.

Cerca de 25% da população brasileira estava recebendo o benefício até dezembro de 2020, contra 13,2% da população que recebe o Bolsa Família. Aqui, cabe ressaltar que o Programa Bolsa Família vinha sendo encolhido nas últimas gestões presidenciais: Temer e Bolsonaro.

Entenda o impacto, na região, de pessoas que receberam o auxílio emergencial. Com base nestes números dá para ter uma ideia de quanto vai deixar de entrar de recursos em cada município. Acompanhe!

Candiota – Conforme dados do Governo Federal, a Capital do Carvão teve 3 043 beneficiários do auxílio emergencial, ou seja, 34,69% do total da população receberam as parcelas. Foram R$ 8 411 400 milhões distribuídos de abril até agosto 2020 (meses posteriores não tem nenhuma informação na base de dados do Governo Federal)

É possível afirmar que desde que o auxílio perdeu a validade, em dezembro de 2020, entre R$ 1,6 a 1,9 milhão deixaram de entrar na economia de Candiota, por mês – caso o valor de R$ 600 por beneficiário fosse mantido.

Hulha Negra – Na cidade de Hulha Negra, foram 2 083 beneficiários, uma margem de 34,47% do total da população recebeu o auxílio.  Foram R$ 6 318 600 distribuídos de abril até agosto 2020 (meses posteriores não tem nenhuma informação na base de dados do Governo Federal). Neste caso, cabe ressaltar que o valor médio distribuído aos beneficiários de Hulha Negra, ao longo de abril-agosto de 2020, foi de R$ 1 263 720.

Com base nos dados do governo, também pode-se afirmar que desde que o auxílio perdeu a validade (dez/2020), entre R$ 1 a 1,2 milhão deixaram de entrar na economia da cidade, por mês – ressaltando sempre que esse número é caso o valor de R$ 600 por beneficiário fosse mantido.

Bagé – Na Rainha da Fronteira, foram 34 965 beneficiários. Ou seja, 29,94% do total da população do município recebeu o auxílio emergencial. Ao todo, foram R$ 97 197 000 distribuídos até agosto 2020 (meses posteriores não tem nenhuma informação na base de dados do Governo Federal)

Assim, é possível afirmar que desde que o auxílio perdeu a validade (dez/2020), entre R$ 19 a 20 milhões deixaram de entrar na economia local por mês – caso o valor de R$ 600 por beneficiário fosse mantido.

Dom Pedrito – Na Capital da Paz, 10 435 pessoas foram beneficiadas. Isso equivale a 26,83% do total da população. O valor de R$ 28 166 400 foi distribuído de abril até agosto 2020 (meses posteriores não tem nenhuma informação na base de dados do Governo Federal). Com isso, é possível dizer que desde que o auxílio perdeu a validade (dez/2020), entre R$ 4 a 6,2 milhões deixaram de entrar na economia de Dom Pedrito, por mês – caso o valor de R$ 600 por beneficiário fosse mantido.

Lavras do Sul – Na Terra do Ouro, 2 116 beneficiários receberam o auxílio emergencial. Cerca de 27,56% do total da população. Com isso, R$ 5 602 800 foram distribuídos de abril até agosto 2020 (meses posteriores não tem nenhuma informação na base de dados do Governo Federal).

Então, é possível calcular que desde que o auxílio perdeu a validade (dez/2020), entre R$ 700 mil a 1,3 milhão deixaram de entrar na economia de Lavras do Sul, por mês – caso o valor de R$ 600 por beneficiário fosse mantido.

Pinheiro Machado – Em Pinheiro Machado cerca de 28,86% do total da população foi contemplada com o auxílio emergencial. Isso equivale a 3688 pessoas. Ao todo, R$ 10 999 800 foram distribuídos de abril até agosto 2020 (meses posteriores não tem nenhuma informação na base de dados do Governo Federal). Valor médio distribuído aos beneficiários de PM ao longo de abril-agosto de 2020 = R$ 2 199 960

Com esses dados, pode-se afirmar que desde que o auxílio perdeu a validade (dez/2020), entre R$ 1,7 a 2,4 milhões deixaram de entrar na economia local por mês – caso o valor de R$ 600 por beneficiário fosse mantido.

Pedras Altas – Na Cidade do Castelo, 743 pessoas foram beneficiadas com o auxílio emergencial. Ou seja, 33,59% do total da população. O valor de R$ 2 038 800 foi distribuído de abril até agosto 2020 (meses posteriores não tem nenhuma informação na base de dados do Governo Federal).

É possível afirmar que desde que o auxílio perdeu a validade (dez/2020), entre R$ 360 a 460 mil deixaram de entrar na economia local por mês – caso o valor de R$ 600 por beneficiário fosse mantido.

Situação requer planejamento e cooperação

Até o momento, não há sinal de melhora: o auxílio emergencial ainda não foi renovado, os preços de alimentos, energia elétrica, gás de cozinha e habitação estão aumentando e a pandemia de covid-19 continua se espalhando. Para amenizar a situação de pobreza, as prefeituras terão que se reunir com congressistas e governadores para melhorar as políticas de assistência social e reverter algumas decisões. Assim, tentando proporcionar que, pelo menos, a fome não chegue às casas dos brasileiros.

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