Janeiro Branco alerta contra o adoecimento emocional

Janeiro Branco alerta contra o adoecimento emocional

Janeiro Branco é uma campanha que tem por objetivo chamar a atenção das pessoas para questões relacionadas à saúde mental e emocional. O mês de Janeiro foi escolhido para ser o mês desta campanha, porque em termos simbólicos as pessoas estão mais propensas a pensarem em sua vida, relações sociais, condições de existência, emoções e sentidos existenciais. Já a cor branca foi escolhida porque em uma folha branca podemos escrever ou reescrever uma nova história, um novo capítulo na vida.

Em Bagé, a rede pública de saúde conta com os Centros De Atenção Psicossocial (CAPS), que prestam vários atendimentos à comunidade, entre eles atendimento psicológico, psiquiátrico, com psicopedagogo, terapia ocupacional, entre outros. A saúde mental em Bagé é coordenada pela enfermeira Carla Finger, que ressaltou a importância da campanha Janeiro Branco nos dias de hoje, proporcionando um momento para parar e refletir sobre assuntos que perturbam a mente e muitas vezes levam à depressão. Segundo Carla, com a pandemia os casos de depressão não só aumentaram como os já existentes se agravaram.

“Muitas pessoas não sabem que podem contar com toda uma rede de apoio para esses casos e diversos outros. Em Bagé temos o CAPS i que atende crianças e adolescentes com transtornos mentais graves e persistentes e os que fazem uso de crack; CAPS II atendendo pessoas com transtornos mentais graves e persistentes e também o CAPS AD, que atende adultos com necessidades decorrentes do uso de Crack, álcool e outras drogas”, detalha a coordenadora.

Etiene Feijó, coordenadora do Caps AD, ressalta que por muitos anos se viva em uma sociedade manicomial. Pessoas com transtorno mental, consideradas “diferentes” eram colocadas em hospitais psiquiátricos, conhecidos como hospícios ou manicômios. Ela ressalta que por volta dos anos 90 detectou-se que muitas pessoas morriam de outros tipos de doenças (DST, vírus, bactérias, principalmente maus tratos) dentro desses manicômios. “Começou então a luta “antimanicomial” e a conhecida Reforma Psiquiátrica. Fecharam os manicômios onde essas pessoas eram isoladas e trancadas, muitas até mesmo atadas. E criou-se uma nova política de saúde mental. Foi quando se originaram os CAPS, que são locais de tratamento e acompanhamento, junto com as Residências Terapêuticas. Pessoas que moram em hospícios e manicômios, mudaram-se para lá na intenção de levar uma vida com qualidade e liberdade. E os leitos psiquiátricos e hospitais psiquiátricos só podem atender por curta duração”, explica.

Hoje os Caps são voltados a cuidar de quem tem transtornos psíquicos graves e persistentes e dependência química/álcool. “Atende a população que efetivamente sofre com transtornos graves. Sofrimentos mentais mais leves são atendidos nos “postos” de saúde ESF, UBS, Saúde da Família”, explica Etiene.

No ano de 2021, de janeiro a novembro, os CAPs atenderam 16.976 entre atendimentos psicológicos, psiquiatra, acolhimentos, médicos clínicos, assistência social, enfermagem, fonoaudióloga, fisioterapeuta, psicopedagoga e terapia ocupacional.

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