Merenda escolar: muitas vezes é a única refeição de uma criança

Merenda escolar: muitas vezes é a única refeição de uma criança

Há quem não acredite, mas ainda existe muita criança passando fome. Adultos também. Pessoalmente, enquanto jornalista, já visitei muitas escolas, estaduais e municipais, em diversas cidades da região. Acreditem, há crianças que aguardam ansiosamente pela merenda escolar, pois essa será sua única refeição do dia.

O governador do Estado, anunciou ontem (quinta-feira), dia 3, o programa Merenda Melhor. A iniciativa eleva em 166% o valor investido pelo Estado na alimentação de cada estudante da rede estadual de ensino. Atualmente, as escolas recebem R$ 0,66 por aluno para ofertar uma refeição, sendo R$ 0,36 do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e R$ 0,30 do programa estadual. A partir deste ano letivo de 2022, as escolas passarão a contar com R$ 1,16 para ofertar a mesma refeição.

Sim, os diretores e administradores das instituições de ensino fazem milagres, só pode! Há uma notícia boa, dos valores repassados pelo PNAE, 30% devem ser investidos em compra direta de produtos da agricultura familiar, incentivando o desenvolvimento econômico e sustentável de pequenos produtores. Volto a dizer: vamos valorizar o pequeno produtor e a agricultura familiar, são eles que colocam alimento na nossa mesa.

Será que a pandemia, que agravou mais a fome no país, não está de várias formas nos dando uma lição. Um dos prazeres de escrever essa coluna é poder trazer exemplos, dicas, assuntos, debates e ideias.

E as hortas escolares e comunitárias não seriam uma opção?

Aproveitar as áreas que estão inativas no interior das escolas para criação de hortas comunitárias. Envolver as comunidades para enriquecer a merenda escolar, principalmente nas escolas de tempo integral, e oferecer uma educação voltada para a alimentação com produtos naturais não seria uma boa iniciativa.

No Rio Grande do Sul, ano passado, 947.112 mil pessoas viviam com até R$ 89 por mês, conforme dados do Cadastro Único (CadÚnico), representando 8% da população vivendo em condição de extrema pobreza. Quando considerada a linha da pobreza, de ganhos mensais de até R$ 178, o número de pessoas chegava a 1.291.678, o que representa 11% da população gaúcha.

Segundo a Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional – LOSAN (Lei nº 11.346, de 15 de setembro de 2006), por Segurança Alimentar e Nutricional – SAN, entende-se a realização do direito de todos ao acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais, tendo como base práticas alimentares promotoras de saúde que respeitem a diversidade cultural e que sejam ambiental, cultural, econômica e socialmente sustentáveis.

Conheço algumas escolas técnicas, como as de Dom Pedrito e Caçapava do Sul, que produzem parte do alimento e inclusive pode ser comercializado. Porém, confesso que não lembro de escolas municipais e estaduais que tenham esse olhar. Que tal envolver a comunidade? A escola é de todos ou não?

Outro exemplo que trago aos leitores: em Lavras do Sul tem horta comunitária e por incrível que pareça, com apoio somente de voluntários, sem nenhuma contrapartida de governo. A iniciativa foi do vereador Neto Viana, que aluga terreno e paga as contas com seu salário de legislador. Ademais, conta com voluntários que ajudam desde a confecção dos canteiros, plantação e colheita. Após, os kits com verduras e legumes são distribuídos nas casas da população, principalmente pessoas em vulnerabilidade social.

Já escrevi sobre esse tema e conheço de perto. Muitos vão dizer que o vereador faz esse trabalho para ganhar votos. Porém, adianto que esse trabalho começou a ser realizado antes de colocar seu nome à disposição dos lavrenses. Fico feliz em ver um jovem na política, mas mais feliz em ver um jovem com consciência de classe fazendo sua parte e procurando ajudar o próximo, independentemente de partido político.

Mas voltando a falar em escolas, creio que podemos afirmar que as atividades desenvolvidas em uma horta minimizam os gastos que a escola tem na compra das hortaliças, além de oferecer alimentos frescos para os alunos.

A horta inserida no ambiente escolar pode ser um laboratório vivo que possibilita o desenvolvimento de diversas atividades pedagógicas em educação ambiental e alimentar unindo teoria e prática de forma contextualizada, auxiliando no processo de ensino-aprendizagem e estreitando relações através da promoção do trabalho coletivo e cooperado entre os agentes sociais envolvidos, (MORGANO, 2006).

 Fome na América Latina

A fome na América Latina alcançou no ano passado um patamar que não se via há décadas, segundo o mais recente relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre segurança alimentar. De acordo com a ONU, a América Latina foi a região na qual o número de pessoas passando fome mais cresceu.

 

Veja abaixo dois números impactantes presentes no relatório que mostram a situação da segurança alimentar:

– 60 milhões de pessoas passam fome na América Latina

– 267 milhões de pessoas estão em situação de insegurança alimentar

No Fio da Notícia_