Pesquisa revela disparidades profundas entre homens e mulheres no mercado de trabalho em Bagé

Pesquisa revela disparidades profundas entre homens e mulheres no mercado de trabalho em Bagé

Mais que palavras, números evidenciam tratamento diferenciado ao público feminino, especialmente na iniciativa privada

Pesquisa do Expresso Pampa junto aos dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), analisados pelo Observatório do Trabalho, apontam que a diferença de remuneração entre homens e mulheres no mesmo nível ocupacional supera R$ 1 mil dentro da estrutura de trabalho formal. Os dados deixam clara a disparidade no tratamento às diferenças de gênero e também à etnia, no mês em que é celebrado o Dia Internacional da Mulher.

De acordo com os dados (2019), um homem branco trabalhador com carteira assinada recebia um salário médio de R$ 2 698,5, enquanto um homem negro recebia, em média,  R$ 1 961,3.

Abismo

Entre as mulheres, as identificadas como brancas pela pesquisa recebem em média R$ 2 239,8, enquanto as negras têm rendimentos médios de R$ 1 689,2. Na ponta do lápis, isso quer dizer que a disparidade salarial entre homens e mulheres (brancos ou negros) chega a 15% para profissionais do mesmo nível.

Entre homens, os identificados como brancos chegam a receber 27,31% a mais que os negros no mesmo nível ocupacional. No caso das mulheres, as identificadas como negras recebem até 24,58% a menos do que as de cor branca, dentro do mercado formal de trabalho e em níveis similares de ofício.

O abismo entre o que é pago em média a homens brancos e mulheres negras no mercado formal de trabalho, de acordo com os dados, é ainda mais representativo. As informações divulgadas apontam uma disparidade de 37,4% entre os dois grupos. Isso quer dizer que ao final de 12 meses (incluído o 13º salário) um homem branco terá rendimentos médio de R$ 35 080,5, enquanto uma mulher negra receberia R$ 21 959,6, o que representa uma diferença na prática de R$ 13 120,9 ao final de 12 meses de trabalho.

Preferência

Em relação a cargos de chefia e liderança, os homens levam vantagem de 65,3% para 34,7% na presença em todos os cargos de direção, enquanto as médias salariais também têm diferenças gritantes de acordo com a estatística, principalmente no setor privado. Enquanto a média salarial para cargos de gestão fica em R$ 13 377,8 mil para os homens, a média salarial para mulheres em cargos de alto escalão cai para R$ 8 477,2, o que representa uma diferença de 36,63% entre profissionais que teoricamente, exercem funções com as mesmas responsabilidades. Os dados se referem à disparidade no setor privado, onde são verificadas as maiores diferenças entre os dois grupos.

Nos cargos públicos, a diferença salarial entre homens e mulheres detectada em Bagé é menor, porém, ainda persiste. Enquanto os homens em cargos de chefia com vínculo estatutário recebem, em média, R$ 3 910,2, a remuneração para mulheres em posições de gestão é em média de R$ 3 689,3, o que representa um déficit de 5,64% em relação aos homens no mesmo nível de competência.

Por que isso é importante?

De acordo com o perfil socioeconômico de Bagé traçado pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) divulgada em 2020, a Rainha da Fronteira tem uma população feminina com diferença estimada de 7,63% a mais que os homens. Este fator não se verifica para o caso de mulheres em idade economicamente ativa (16 a 69 anos), com breve vantagem para os homens neste extrato – 68,7% dos homens estão em idade economicamente ativa dentro do mesmo grupo (homens de todas as idades), enquanto se verifica 67,2% do total da população feminina. Ainda assim, em números gerais, a população feminina com capacidade de produzir renda é superior à masculina em Bagé.

Isso quer dizer que a despeito de existirem mais mulheres em idade de estar no mercado de trabalho, muitas vezes igualmente ou mais qualificadas que os homens, em geral elas são pior remuneradas e tem acesso mais restrito a cargos de gestão, além de sofrerem segregação persistente não apenas em relação ao gênero, mas também à raça ou etnia de origem quanto a salários e perspectivas de progressão na carreira.

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