domingo, setembro 19, 2021

Por onde andamos

 

Andamos por Bagé, Aceguá, Hulha Negra, Candiota, Dom Pedrito, Lavras do Sul, Caçapava do Sul e Pinheiro Machado

 

Bagé: A Rainha em permanente evolução

Mais de 200 anos como referência para o Rio Grande do Sul e o Brasil. Assim, pode-se definir a Rainha da Fronteira. Sinômico de pujança em seus campos; símbolo para a cultura e o patrimônio arquitetônico do Estado e uma cidade pólo para a Campanha. Com mais de 120 mil habitantes, Bagé apresenta um crescimento em seu território urbano nos últimos 20 anos. É uma cidade que se moderniza, respeitando um legado de primazias históricas.

E muito desse avanço recente se deu a partir de investimentos privados e públicos em segmentos da economia e da educação. No primeiro caso, o setor da construção civil representa uma fatia de mercado que arregimenta mão de obra de trabalhadores e remodela o panorama da cidade com novos conjuntos residenciais.

Pólo educacional

Muito disso está no fato de Bagé receber pessoas que fixam residência para trabalhar, como àquelas que aqui estão para realizar seus estudos. Bagé, hoje, se consolida também como polo educacional. E esse cenário se deu com a manutenção e renovação da Universidade da Região da Campanha como uma das instituições de Ensino Superior mais importantes do Estado; a criação da Universidade Federal do Pampa (Unipampa) tornando realidade o sonho do ingresso em uma faculdade pública; a inauguração da unidade local do IFSul que trouxe conhecimentos técnicos para jovens; e a chegada da UnIdeau que apresenta uma forte expansão nos últimos anos, bem como a consolidação do Senac como instituição para formação de mão de obra técnica capacitada.

Gastronomia em evidência

Com esse enfoque na educação toda uma cadeia cultural e gastrônomica na cidade foi alterada. Um novo potencial econômico surgiu para atender não só a comunidade local, mas o público de diversos rincões do Brasil. Dessa forma, inúmeros empreendimentos de food truck, beer truck, criação de pubs, bares e restaurantes passaram a realçar, ainda mais, a cultura noturna e gastrônica da cidade.

Antes de chegar a pandemia do novo coronavírus, eventos que galvanizam essas iniciativas foram promovidos, tornando-se uma alternativa de entretenimento que alia comércio e cultura em um mesmo local.

Potencial do campo

Mas, mesmo com algumas mudanças no que se refere à rotina urbana de Bagé, a cidade mantém viva as suas tradições, principalmente a sua forte ligação com o campo. Isso porque é aqui que temos uma pecuária de corte e de leite diferenciada, muito em função de criatórios que trabalham fortemente no melhoramento genético das raças bovinas.

A ovinocultura também é uma das marcas da cidade, tanto é que a sede da Associação Brasileira de Criadores de Ovinos é em Bagé. Isso sem contar as raças equinas Crioula e Puro Sangue-Inglês que levam a marca Rainha da Fronteira para os mais diversos locais do mundo.

No entanto, esse setor econômico que á principal vocação de Bagé também está em constante inovação. A cultura da oliveira é uma das alternativas de diversificação da matriz produtiva que ganhou investimentos há poucos anos. De olivais a uma agroindústria que extraí o azeite de oliva extra virgem, Bagé aposta em culturas que somam à pecuária e a orizicultura.

A soja já é uma realidade. Com expansão crescente em áreas, a oleaginosa tem movimentado toda uma cadeia de produtos e serviços no município. Já a vitivinicultura é mais uma das destacadas riquezas de Bagé e região, o que torna a Campanha um novo espaço para produção de vinhos finos de qualidade premiada em concursos e pelos consumidores da bebida.

Cultura que mantém viva tradições

Mas o campo não se resume a esses resultados de destaque apenas em produtos e serviços. Também faz com que a cidade mantenha sua herança e suas marcas para as novas gerações. Toda uma cultura é mantida viva enaltecendo esses homens e mulheres com hábitos fronteiriços do Pampa, tão próximos ao Uruguai e com um jeito cativante de ser.

Eventos reforçam essas características como apresentações artísticas e musicais, rodeios são disputados, atrações divulgadas por entidades tradicionalistas e atividades organizadas pela centenária Associação e Sindicato Rural de Bagé – outro símbolo da importância também de política de classe para o Brasil -, tudo isso faz com que o cidadão bageense, natural ou o que veio aqui residir, tenham orgulho dessa terra. Uma cidade que tem e faz história diariamente.

 

Dom Pedrito: a Capital da Paz

Desmembrado de Bagé, o povoamento surgiu com o contrabando. Um espanhol, Pedro Ansuateguy, apelidado de “Dom Pedrito”, organizava esta atividade ilegal, abrindo picadas que deram origem a estradas, daí surgiu o nome do município.

O povoamento da região sede iniciou em 1800, emancipando-se em 1872. Inicialmente, denominou-se Nossa Senhora  do Patrocínio de Dom Pedrito; posteriormente, passou a chamar- se somente Dom Pedrito. A partir de 1888, a sede foi elevada à categoria de cidade.

Esta região foi duramente atingida por três conflitos armados, Revolução Farroupilha (1835-1845); Revolução Federalista de 1893 e pela Revolução de 1923. O Tratado de Paz da Revolução Farroupilha ocorreu em Ponche Verde (Dom Pedrito), o que levou a cidade a receber a denominação de “Capital da Paz”.            

Progresso econômico

Após a Revolução de 1923 o progresso tomou grande impulso na zona, principalmente nos setores de criação de gado e triticultura. Dom Pedrito sempre manteve sua área geográfica desde sua emancipação, não tendo dado origem a nenhum outro município.

No final do século XX houve grande impulso na orizicultura no município. No início do século XXI iniciou-se o plantio de uvas para a elaboração industrial de vinho. O município também cultiva outras frutas, como o melão.

Com uma tradição histórica e econômica fortemente associada à grande propriedade e destinada à pecuária e ao cultivo de grãos, Dom Pedrito também se destaca na produção de uvas e vinhos finos. A vitivinicultura em Dom Pedrito foi motivada, principalmente, pelas suas condições naturais de solo e clima.

Pontos turísticos

Caixa d’água – Localizada na Praça General Osório, o prédio tombado pelo patrimônio histórico do estado, é um símbolo urbano de Dom Pedrito.

O reservatório foi elevado ao centro de outro ponto turístico, a praça General Osório e foi inaugurado em 1935, quando era Flores da Cunha, governador do estado e Leopoldino Dutra Sobrinho, prefeito. É a atual sede da Assessoria de Tradição, Folclore, Turismo e Lazer.

Obelisco da Paz – Marco histórico, erguido pelo Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul e Governo do Estado, assinala a região onde, em 1845, foram feitas as tratativas de paz pelos Farroupilhas. Localização: 45 km da cidade.

Parque de Exposições Juventino Corrêa de Moura – Fundado em 03 de outubro de 1931, é a sede da Exposição Feira Agropecuária do Município (Farmshow); do Ponche Verde da Canção Gaúcha e do Parque em Festa. Situado na zona oeste da cidade.

Igreja matriz Nossa Senhora do Patrocínio   – Suas obras iniciaram em 1899. A invocação lembra a origem luso-espanhola da população, vitrais importados da Alemanha (1937). Localiza-se em frente a Praça General Osório, no centro da cidade.

 

Pinheiro Machado: muito além da terra da ovelha

A capital da ovinocultura. Essa pode ser apenas umas definições acerca do município de Pinheiro Machado. No entanto, a cidade é muito mais. Trata-se de um dos mais representativos municípios da Metade Sul gaúcha, tanto pela sua importância para o setor agropecuário, quanto por sua história.

Por falar em história, Pinheiro Machado é um dos municípios mais antigos do estado. Suas origens remetem às primeiras povoações naquela região ainda no século 18. Até o ano de 1830, pertencia a Rio Grande e, alguns anos depois, passou a fazer parte de Piratini, desmembrando-se na data de 24 de fevereiro de 1879. Nessa época a denominação da cidade passou a ser Nossa Senhora da Luz das Cacimbinhas.

Esse nome relacionado à Cacimbinhas se explica porque naquele período as mercadorias eram levadas em carretas puxadas a bois. O trajeto era feito em trilhas que tinham como divisões águas naturais. Os carreteiros faziam seus pontos de descansos em locais que havia água, as cacimbas naturais como eram chamados esses locais.

A partir dessas ações, criaram-se pontos fixos para os carreteiros pararem para descansar e, o principal local, era onde se encontra a mais antiga praça de Pinheiro Machado. A primeira igreja do município foi a capela Nossa Senhora da Luz das Cacimbinhas, criada em 1851.

O município de Cacimbinhas teve o nome alterado para Pinheiro Machado durante a gestão do intendente provisório Dr. Ney Lima Costa. O motivo foi quando o senador José Gomes Pinheiro Machado foi assassinado no Rio de Janeiro, por Francisco Manso de Paiva Coimbra, natural de Cacimbinhas.

Desenvolvimento social e econômico

Já no século 20, o desenvolvimento econômico e social do município aumentou, principalmente após ser elevada à categoria de cidade no ano de 1938. Com isso, foram instalados bancos, clubes sociais, escolas, hospital, biblioteca pública e demais empreendimentos para o município.

Uma das marcas do município é a ovinocultura. Tanto é que na própria entrada da cidade há monumentos alusivos à atividade produtiva. Referência para o setor, Pinheiro Machado sedia anualmente a Feira e Festa Estadual da Ovelha (Feovelha).

A exposição é um dos principais espaços de comercialização e valorização das raças ovinas. A Feovelha recebe, tradicionalmente no final de janeiro, inúmeros criadores e público em geral que prestigiam o evento no parque Charrua. Culinária, shows artísticos e culturais, gineteadas, artesanato, palestras, essas são algumas das atrações da Feovelha.

Novos investimentos

Mas o município também investe em diversificação produtiva para viabilizar novos ganhos econômicos. Assim, como outras cidades da Metade Sul e, da própria Campanha, Pinheiro Machado tem investido na vitivinicultura e olivicultura. Por estar na faixa territorial beneficiada por solo e clima, essas duas culturas têm proporcionado ganhos a produtores que resolveram empreender nessas atividades.

Um desses investidores é o empresário paulista Luiz Eduardo Batalha, que já é referência em olivicultura há alguns anos em propriedade localizada em Pinheiro Machado. Outra ação que tem como investidor o empresário é a aposta em um empreendimento com recursos internacionais que deverá sanar um passivo florestal em Pinheiro Machado. É através do fundo britânico Castlepines, que servirá para instalar uma grande usina para produção de pellets (resíduos de madeira utilizados para gerar energia a partir de sua biomassa).

O investimento tem como foco as extensas áreas com florestas no município para a produção de pellets, com um investimento de cerca de R$ 1 bilhão. A estimativa é de que, quando já estiver operando, a usina tenha uma capacidade mensal de produção de 75 mil toneladas de pellets e cogeração de 50 megawatts de energia elétrica. Dessa forma, a transmissão de energia elétrica contemplará todo o subproduto gerado com a produção de pellets, feito a partir de galhos e tocos de árvores.

Com essa meta, a usina além de processar todos esses resíduos em uma termelétrica, que será erguida na mesma planta da fábrica, terá cerca de 32 megawatts que servirão para alimentar o próprio funcionamento da indústria e os outros 18, que serão direcionados para a distribuição na rede. O objetivo é de ser comercializado pelas companhias de energia elétrica. Ou seja, esse investimento poderá incrementar ainda mais a geração de empregos para o município de forma direta e indireta.

Turismo e cultura

Pinheiro Machado também é uma cidade símbolo para a cultura e a história do Rio Grande do Sul. No tradicionalismo, um dos principais festivas do Rio Grande do Sul, é a Comparsa da Canção Nativa que já revelou inúmeros talentos da música regionalista gaúcha.

 No turismo, Pinheiro Machado é uma das cidades procuradas por quem aprecia as belezas de morros e serras, além do próprio rio Camaquã que também margeia o município.

Uma outra opção para quem quer desfrutar de entretenimento e diversão é o Gaya Aventura Park. Além de brinquedos para as crianças e jovens, como a tirolesa, passeio a cavalo e trilhas, mas o espaço também conta com uma estrutura que favorece ao camping para as famílias que podem apreciar as belezas naturais do local. Enfim, Pinheiro Machado é tudo isso e mais um pouco, sendo uma das cidades mais hospitaleiras da Metade Sul do RS.

Fontes: LUIZ EWERTON VELEDA DUTRA (JULHO DE 2009).

Laboratório de estudos Urbanos e Regionais, ICH/UFPel.

Livro de Babosa Lessa: Rio Grande prazer em conhecê-lo.

 

Candiota: 28 anos de constante inovação

Jovem em história como município, porém com tradições em seus campos que remontam há séculos, Candiota é o exemplo de cidade que mantém-se mirando o futuro.  A capital do carvão tem sua importância reconhecida economicamente não só para a região, mas para todo Estado e também é em seu solo que se travou um dos principais momentos da história do Rio Grande do Sul: a batalha do Seival. Mais do que isso, a cidade foi palco histórico da procalamação da República Riograndense, em 11 de setembro de 1836, pelo general Antonio de Souza Neto, naquele que seria uma dos principais eventos da história do Brasil:a Revolução Farroupilha (1835-1845).

Candiota tem seu nome originário, como consta em algumas fontes não oficiais, no século 18, quando um grupo de gregos, originários da Ilha de Cândia, também identificada como Creta, passaram pela região onde está o município, onde nomearam o nome de um rio próximo ao local em que estavam como Arroio Candiota, isso porque esses visitantes eram conhecidos como Candiotos.

A cidade era um distrito de Bagé até o ano de 1992, quando após uma forte mobilização política como a que ocorrera em outros locais do Estado, tornou-se um município. A emancipação de Candiota de Bagé representou um impacto econômico para a Rainha da Fronteira, muito pela importância da cidade.

Economia

A principal fonte econômica de Candiota está na extração de carvão e geração de energia realizadas pela Companhia Riograndense de Mineração (CRM) e da Companhia de Geração Térmica de Energia Elétrica (CGTEE). Outro fator de desenvolvimento para Candiota foi a construção da Usina Termelétrica Pampa Sul. Ou seja, a geração de empregos diretos e indiretos e todo um setor de produtos e serviços atrelados à essa matriz produtiva possibilita que a cidade de mais de 10 mil habitantes seja um município em franco processo de desenvolvimento.

Nos últimos anos, outras atividades têm ganhado força para a economia da cidade. A vitivinicultura já é referência de produção de vinhos finos de qualidade. A olivicultura também tem se tornado uma aposta maior por produtores do município. Assim como outras culturas da cadeia agropecuária. Soma-se a esses segmentos também o enfoque na cerâmica como investimento diversificador de renda.

Atrativos

Candiota é composta, em sua divisão geográfica, por bairros mais distantes, não sendo fronteiriços entre eles. A área urbana do município tem como localidades a Vila Operária, São Simão, João Emílio, Seival, Dario Lassance (sede do município) e a Vila Residencial, além de 36 assentamentos no interior.

O município também destaque pelas suas belezas naturais, o enoturismo, entre outras áreas que atraem visitantes de todo o Estado. De forte tradição vinculada ao tradicionalismo – assim como outras cidades da Campanha, Candiota é sede de um dos principais eventos da cultura regionalista gaúcha com o festival Canto Moleque.

No verão, muitos turistas da região vão até a cidade para usufruir da “prainha de Candiota”, um balneário localizado em área pertencente à CGTEE que o Executivo de Candiota conseguiu a concessão de uso da estrutura por duas décadas. Outro espaço que denota a história de Candiota está no Centro Cultural do município que é parte da estrutura onde funcionou a primeira Usina de Candiota. Nele, visitantes podem conhecer um pouco da história da cidade, mas também participar de diversas atividades que são realizadas naquele complexo.

Dessa forma, Candiota, assim como outras cidades da região da Campanha consegue mesclar a manutenção de sua valoroza história que remete aos principais fatos do Rio Grande do Sul, com os desafios que os novos tempos exigem.

 

Lavras do Sul: a Terra do Ouro

Lavras do Sul é o único município gaúcho com origem na mineração e na extração de ouro. Sua origem se dá a partir de um acampamento mineiro instalado às margens do arroio Camaquã das Lavras (um dos cursos d’água formadores do Rio Camaquã, que desemboca na Laguna dos Patos) surgido para a exploração das pepitas de ouro depositadas naturalmente no leito do rio.

Com a exploração do mineral, formou-se um núcleo habitacional que deu origem à cidade de Lavras do Sul, cujo nome deriva da divisão de glebas destinadas à mineração (lavra) do ouro. Ao nome “Lavras” adicionou-se a expressão “do Sul”, por já existir um município denominado Lavras em Minas Gerais. O nome oficial Lavras do Sul foi definido em 29 de dezembro de 1944. O curioso é que o nome da cidade quase se tornou Araíuba (“lugar do ouro”), por conta de um decreto do Governo na época, que disciplinava os nomes das cidades de acordo com suas origens e descendências, ideia que acabou sendo engavetada.

Há uma identificação de mais de 250 anos com a mineração, o que fez com que Lavras recebesse o cognome de Terra do Ouro. Segundo a lenda, que pode ter dado origem à cidade, um garimpeiro teria achado uma pepita grande de ouro com o formato da imagem de Santo Antônio, às margens do arroio Camaquã das Lavras. Espalhada a notícia sobre a ocorrência desse mineral na região, muitos aventureiros perceberam a semelhança do solo local com as terras de Mato Grosso e Minas Gerais. Em 1796, a primeira descoberta de ouro em Lavras aconteceu, dando origem ao início da colonização do município e à exploração da mineração aurífera. Há registros de que o ouro do território onde hoje se localiza o município foi explorado por europeus e canadenses. Embora o povoamento tenha se estabelecido em 1825, além dos ingleses e canadenses, belgas, espanhóis, portugueses, índios e bandeirantes paulistas já estavam na região, atraídos pela quantidade de ouro existente.

Na atualidade é um dos municípios que tem no setor agropecuário sua força. Com uma das maiores áreas preservadas de campo nativo do Bioma Pampa, o município tem na pecuária, especialmente a bovinocultura de corte seu lastro sócio-economico-cultural, dos 246 mil hectares de área agropecuária, as pastagens naturais ocupam 157 mil hectares, pastejadas por bovinos, ovinos e em menor número, caprinos e bubalinos .  A pecuária e a agricultura lavrenses caracterizam-se por serem atividades com amplo espaço e potencial para desenvolvimento. Os bovinos e ovinos fazem o município abrigar um dos 10 maiores rebanhos do RS nestas categorias de animais. Destaque também para a criação de cavalos crioulos.

As raças Hereford e Angus (bovinos), Corriedale (ovinos) e o Cavalo Crioulo são as principais representações de linhagem animal criadas nas fazendas lavrenses. A pecuária é a principal atividade econômica na atualidade, onde apresenta um grande destaque, além da produção de carne, também na produção de couro e lã. A carne de ovelha, aliás, é bastante apreciada na cidade, muito presente nos churrascos e no cardápio das refeições Lavrenses. Cerca de 8% da criação nacional de ovelhas está concentrada no Município, com um rebanho composto por, aproximadamente, 153.438 cabeças.

Lavras do Sul tem 87,3% de área conservada de campos nativos, proporcionalmente a maior do Estado. Isto significa que o território apresenta grande potencial para a criação de gado bovino de corte de alta qualidade, agregando valor à produção dos pecuaristas da região e promovendo a utilização sustentável do ambiente. O Município montou uma estrutura de pecuária diferenciada, com o uso de tecnologia e qualificação dos profissionais envolvidos. As pastagens preservadas dão origem a uma criação mais selecionada e, consequentemente, uma carne de alta qualidade.

A agricultura atende muito mais ao mercado interno do que à agroindústria e à exportação. Os principais cultivos são a soja, o arroz, o milho, o trigo e o amendoim. Existem, ainda, focos de fruticultura, na sua maioria em pequena escala, onde são praticadas culturas como pêssego, uva, laranja e figo. As plantações predominam no Segundo Distrito (Ibaré). 

O turismo em Lavras do Sul vem crescendo a cada ano. Turistas de pelo menos 40 países e de todo o Brasil e RS já visitaram Lavras do Sul, de forma esporádica, em eventos e pequenos grupos. Porém, o Município tem potencial para muito mais. A especialidade é o Turismo de Eventos, principalmente nos meses de verão, no Carnaval e nos eventos rurais e religiosos ao longo do ano.

O Carnaval de Lavras do Sul, considerado o quarto maior do interior gaúcho, é sem dúvida, o mais importante evento lavrense, capaz de mobilizar toda a comunidade. É considerado o maior carnaval da Região da Campanha e um dos maiores do Interior do Estado. A folia dura seis dias, da sexta-feira à Quarta-feira de Cinzas, sendo realizados diversos bailes infantis e adultos, sobretudo na Praça Licínio Cardoso e no Clube Comercial.

Cada vez mais, o lavrense curte essa grande festa com muita alegria, fazendo com que o futuro carnavalesco da cidade seja brilhante, sempre mantendo as tradições, mas também crescendo a cada ano que passa para deixar ainda mais grandioso. O Carnaval de Lavras do Sul é um dos maiores do Estado onde cerca de 20 blocos carnavalescos animam a folia, levando mais de 10 mil pessoas às ruas e clubes da cidade.  A alegria que abrilhanta o maior evento do Município surgiu com a tradição que permanece até hoje: a saudável rivalidade entre os blocos O Grupo dos Relaxados e Vae de Qualquer Geito.  O bloco O Grupo dos Relaxados foi fundado no carnaval de 1930, sendo considerado o mais antigo bloco de salão em atividade. Em 1938, surgiu o Vae de Qualquer Jeito.

Lavras do Sul, embora não seja uma cidade considerada centro regional – e, em termos geográficos e oficiais, tampouco um centro local –, exerce sim uma considerável influência de fluxo e movimentação de pessoas na Região da Campanha. Nos meses de verão, bageenses e caçapavanos buscam a Praia do Paredão para passarem suas férias.

Fonte: Livro digital – Panorama Lavrense

 

 

Caçapava do Sul  –  Segunda Capital Farroupilha

Nascida de um acampamento militar na metade do ano de 1770, Caçapava do Sul é um dos municípios mais antigos do Rio Grande do Sul. Seu território está situado na chamada Região da Campanha, com extensas jazidas de minérios de cobre, cal e caulim.

Em sua configuração topográfica observam-se campos e serras imponentes, com terras escuras e solo silicioso, prestando-se de maneira admirável à criação de gado e à agricultura.

Caçapava do Sul tem como base de sua economia o setor primário na pecuária e agricultura, além da  indústria e mineração, que é responsável pela produção de mais de 85% do calcário do Estado do Rio Grande do Sul.

A gastronomia típica pela qual é conhecida por ser à base de carnes bovina e ovina, com influências portuguesa, espanhola, africana e indígena.

A produção cultural e artista também é referência no município. A Casa do Poeta “Clara Haag Kipper” promove concursos literários e já lançou três edições do Prêmio Literário Legislativo Caçapavano, instituído no município pela Lei nº2567/2010.

História

Caçapava na língua Tupi-Guarani significa “Clareira na Mata”, “Fim da Estrada na Mata” e “Fim da Travessia no Monte”. Estima-se que em 1777, nasceu a “Paragem de Caçapava”, oriunda de um acampamento militar localizado no ponto mais estratégico da região, no antigo aldeamento dos charruas, numa clareira cravada na mata virgem.

Com ocupação da Clareira dos Charruas, teve início as origens de Caçapava, a qual foi elevada à categoria de “Vila” em 25 de outubro de 1831 e à categoria de “Cidade” em 9 de dezembro de 1885, através da publicação da lei nº 1535.

Por ocupar localização estratégica nos Pampas, Caçapava do Sul, viveu grandes epopéias de conflitos. Escaramuças, guerras e sangrentas revoluções eclodiram em sua geografia, sempre em defesa da terra brasileira as quais são narradas por historiadores. Tão importante foi à participação de Caçapava durante a Revolução Farroupilha, principalmente por se tornar a 2ª Capital Farroupilha Rio-grandense, no período de 9 de janeiro de 1839 a 30 de maio de 1840. Em meados do século XIX a vila de Caçapava abrigou um arsenal e uma guarnição do Exército Imperial.

Patrimônio histórico

Em Caçapava do Sul são quatro os bens tombados, três deles pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Estadual (IPHAE) em razão de sua referência histórica com a Revolução Farroupilha: a Casa Ulhôa Cintra (ou Casa de Reunião dos Farrapos); a Igreja Matriz Nossa Senhora da Assunção e o Fórum de Caçapava, este último tornou-se Centro Municipal de Cultura Arnaldo Luiz Cassol que abriga o Museu Lanceiros do Sul e a Biblioteca Municipal Domingos José de Almeida.

O Forte Dom Pedro II em 1938 tornou-se um bem tombado pelo IPHAN – Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, considerada a única fortificação remanescente no estado do Rio Grande do Sul, embora suas muralhas de dimensões monumentais jamais tenham sido terminadas e nem guarnecidas. É um dos pontos turísticos mais visitados do município pela sua localização.

Em 14 de dezembro de 2011, o prefeito municipal Zauri Tiarsaju Ferreira de Castro assinou em Jaguarão (RS), o Acordo de Preservação das 13 cidades históricas do estado, protocolos entre o Ministério da Cultura, através do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e as Prefeituras que integram o PAC das Cidades Históricas. Caçapava do Sul, com outras 12 prefeituras faz parte da Associação das Cidades Históricas do Estado (ACHRS), instituída em março de 2011. A assinatura deste convênio é um marco histórico para a preservação do patrimônio cultural e a memória da cidade.

A localização da cidade é um dos fatores importantes para o desenvolvimento, pois é servida pela BR-392, ligando a Região das Missões ao porto de Rio Grande, fazendo a ligação norte/sul, – BR 290, de Uruguaiana a Porto Alegre – leste/oeste, BR 153, ligando a BR 290 à cidade de Bagé, privilegiando Caçapava do Sul com uma entrada via Uruguai e outra via Argentina, o que torna a cidade rota obrigatória nos caminhos do Mercosul.

Produção em Caçapava do Sul

O formato de organização da produção caseira são as cooperativas, onde se destaca a Cooperativa de Apicultores de Caçapava do Sul – COOAPI, que iniciou em 2008 com apenas sete associados e hoje conta com várias famílias, que apresentam o cultivo do mel como principal fonte de renda. A Cooperativa está localizada às margens da BR-290, km 325, na Vila Progresso.

O cultivo de oliveiras proporciona ao município forte desenvolvimento econômico e social, agregando valores entre o cultivo e a geração de empregos e renda através do processamento e da comercialização. Propiciando, assim, uma melhoria na qualidade de vida das pessoas.

A variedade cultivada em Caçapava do Sul é a arbequina, originária da Espanha, própria para a produção de azeite, com produtividade entre oito e 10 toneladas por hectare. A Cooperativa de Produção da Agricultura Familiar de Caçapava do Sul – COFASUL tem como objetivo promover a união dos agricultores e pecuaristas de sua área de ação. Os produtores rurais se dedicam em sua maioria ao cultivo de feijão, milho, outros cereais e atividades pecuárias, promovendo a mais ampla defesa de seus interesses econômicos e sociais. A COFASUL foi criada em 2007, e está localizada no Rincão da Salete.

O Município conta com a Cooperativa Tritícola Caçapavana – COTRISUL responsável pelo recebimento e comercialização de arroz, soja, milho e outros cereais, desenvolvendo atividades para além das fronteiras municipais, tornando-se um forte elemento aglutinador, propiciando condições especiais ao homem do campo.

A ovinocultura está entre as atividades da pecuária local e estadual. Mantém ao longo dos anos status de ser a atividade de significativa importância sócio-econômica e cultural no RS. O rebanho municipal tem crescido gradualmente em função do mercado crescente de carne ovina. Além disso, os ovinos adaptam-se perfeitamente às condições de clima e solo e de coexistência com o Bioma Pampa.

FONTE: Prefeitura de Caçapava do Sul

Hulha Negra e sua história

O município de Hulha Negra tem como marco referencial, a construção da estação ferroviária, em 1884, em torno da qual se formou a comunidade, inicialmente batizada de Rio Negro, nome este alterado na década de 40.
Conforme o site a prefeitura de Hulha Negra, o episódio mais marcante ocorrido na região, no século passado, foi à batalha do Rio Negro, durante a Revolução Federalista, na qual morreram aproximadamente 300 combatentes, 30 deles degolados. Consta que 10 mil combatentes, federalistas e republicanos, durante sete dias travaram uma batalha no local.
Os métodos sangrentos usados tinham o objetivo da intimidação, porém a Degola do Rio Negro, como ficou conhecida, foi uma desforra pessoal entre líderes. Conta a história que invadida a fazenda de Zeca Tavares, um dos líderes vitoriosos da batalha do Rio Negro, por Maneco Pedroso, foi deixada sobre sua cadeira uma cabeça de porco e um bilhete no qual estava escrito: “Tua cabeça será minha”. Esta a razão da desforra que deu margem à Degola do Rio Negro, às margens da Lagoa da Música. Esta é apenas uma versão dos supostos fatos.
A pecuária e as charqueadas eram as atividades econômicas preponderantes no início do século e até o final dos anos 30, tendo sido substituídas pelo Frigorífico, hoje Pampeano, implantado pelo empresário José Gomes Filho, um dos maiores empreendedores de Bagé em todos os tempos. O final dos anos 30 ficaram marcados pela implantação da indústria de cerâmica, liderada por João e Segundo Deiro e pela implantação da Estação Experimental, pelo governo do estado, hoje Fepagro.
Dois livros do escritor Pedro Waine narram estórias de Hulha Negra do final do século passado, primeiras décadas deste século, sem grande compromisso com os episódios históricos. Os livros “Lagoa da Música” e “Charqueadas”, contudo, apresentam um excelente perfil de uma época, do comportamento e da vida da sociedade.
Foi por volta de 1915 que chegou a Hulha Negra o empresário Pedro Rabbione Sacco, que se estabeleceu com comércio e passou a intermediar a produção da região até a metade da década de quarenta, quando faleceu, em especial se atendo ao comércio e à agricultura. Financiava o abastecimento das residências, os insumos para a produção durante todo ano e recebia, após a colheita, o pagamento. No livro que marca os 25 anos da colonização alemã foi considerado que o Banco do Brasil foi importante para o desenvolvimento da região por quase três décadas.
A colonização alemã, datada de 1925, através de produtores rurais vindos de Pelotas, liderada pelo agrônomo Francisco Krensinger, introduziu nova atividade econômica, a agricultura. Escolheu a região, segundo Francisquinho Kloppenburg, “por ter terra boa, por ser perto da cidade de Bagé e, por fim, por ter estrada de ferro, que garantia o transporte da produção, que era muito importante naquela época. Não existiu uma organização imobiliária. Cada colono que chegava tinha que se virar para achar um pedaço de terra. Foi então que se espalhou a colônia, o que dificultou a criação da Igreja, colégio, etc. Em 1930, foram fundados a primeira escola e o cemitério. Em 1934, foi fundada a escola que teve como professor Reinaldo Bohn e hoje é a Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Manoel Lucas de Oliveira”.
Na década de 40 foi criada a Cooperativa Tritícola Assis Brasil, que prestou serviços até a metade dos anos 80 e cuja estrutura hoje é utilizada pelo Centro Comercial, Rodoviária, Ginásio de Esportes. Podemos citar, entre os expoentes na sua implantação, Francisco Kloppenburg e Jaime Brasil, época esta na qual o trigo era a cultura preponderante e a pesquisa coordenada pelo pesquisador geneticista Ywar Beckmann realizada na Estação Experimental da Secretaria da Agricultura, implantada no município em 1929 (Onde funcionou por muitos anos o Centro de Pesquisa de Diversificação Agropecuária do Fepagro).
Alguns relatos afirmam que o carvão já era explorado no século XIX. O certo é que foi explorado até o final dos anos 40, início dos anos 50. O carvão deu ao município o nome “Hulha” e a expressão “Negra”, por ser muito escuro, e é um dos potenciais existentes para exploração futura.
Na primeira metade do século, também deixaram suas marcas no município, como educadora, a professora Dalva Conceição Medeiros, na saúde o farmacêutico Amado da Silva, Laudelino da Costa Medeiros como escrivão e na política João Loguercio, vereador que, em 1950, foi presidente da Câmara Municipal de Vereadores de Bagé e Álvaro Lopes Brasil, vereador e subprefeito.
Foi na metade dos anos 50 que ocorreu o retorno a região daquele que se tornou o idealizador e principal organizador do processo da criação do município, Hugo Canto, após mais de quinze anos fora, quando morou em Salvador e Rio de Janeiro, tendo sido expedicionário da FEB na Segunda Guerra Mundial. Hugo Canto (Hugo do Canto, ao registrar, o pai, Antônio Antunes do Canto retirou o “do”) era natural de Uruguaiana e chegou a Hulha Negra com a família no início dos anos 30, vindo de Hamburgo Velho-Novo Hamburgo, sendo o pai agente da Viação Férrea. Integrou-se rapidamente à comunidade, fossem brasileiros ou descendentes de alemães, pois em Hamburgo Velho havia estudado no Colégio São Jacó e falava, ao chegar no município, o português e com alguma fluência, o alemão. Ainda guri tornou-se amigo de Francisco Krensinger.
Os anos 60 marcaram o início da luta pela emancipação de forma organizada, a implantação da Cooperativa de Eletrificação Rural Rio Negro, posteriormente fundida à Cooperativa de Eletrificação Rural Colônia Nova, dando origem à COOPERSUL, já na década de 70, e a implantação da primeira escola de primeiro grau completo, o Ginásio Comercial Rio Negro, em 1968, através da Campanha Nacional dos Educandários Gratuitos, depois Campanha Nacional das Escolas da Comunidade. Destacaram-se nestes dois últimos episódios, respectivamente, Francisco Kloppenburg e Bruno Petry. Em 1961 foi fundada a Escola Monteiro Lobato, então escola estadual, que teve como primeira professora diretora Dila Vieira Ramos. Como educadores nos anos 70, Elga Clara Langer Freimuller e João Silva, entre outros.

A partir dos anos 60 e 70 o ensino voltado para o setor da agropecuária tinha no município como propulsor o Centro de Treinamento de Mecanização da Lavoura, onde atualmente está o Assentamento Santo Antônio. Cabe em relação a esta unidade ressaltar o desempenho empreendedor dos agrônomos Eduardo Frick, Paulo Abero e Gardênio Brasil, servidores como José Gelson Oyarzabal, Carlos Feijó, Solemar Vaz, Manoel Leão Rosa e Anderson Dornelles.

O final dos anos 70 marcou o início do processo de assentamento de colonos, até então sem terra, no Assentamento Colônia Nova Esperança, o primeiro realizado no Rio Grande do Sul, durante os anos da ditadura militar. Hoje não é mais assentamento, pois os colonos ganharam a posse da terra em 1992.

Nos últimos anos da década 80 reiniciou do processo de colonização da região onde ainda existiam alguns latifúndios e o processo emancipatório.
Na instalação do município, em 1993, havia no município dois acampamentos de colonos sem terra. Um em áreas da Embrapa e outro junto a BR próximo ao trevo de acesso à sede do município. No final da primeira administração do município de Hulha Negra, segundo dados oficiais do Incra, havia no município 235 famílias assentadas e não mais haviam acampamentos de sem terra. No final de 2004 haviam 870 famílias assentadas e 23 assentamentos.
Sem identidade histórico-cultural e muito mais próxima da sede de Candiota que de Hulha Negra, em 1994 iniciou um movimento no Jaguarão Grande com o objetivo de passar para o município de Candiota aquela região. Após processo de anexação na Assembléia Legislativa, a região passou para Candiota. A anexação se deu a partir de 01.05.1996. A área do município diminuiu de 1181,36 Km2 para 835, 52 Km², segundo a Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, setor de cartografia, e a população oficial que era, em 1992, 7.351 habitantes, certamente superavaliada, passou para 6.012 habitantes em 2007/IBGE.

Aceguá -Princesa da Fronteira

O município de Aceguá foi criado em 16 de abril de 1996. Entretanto, sua implantação aconteceu em 1º de janeiro de 2001. Anteriormente Aceguá era distrito de Bagé. Localizada no extremo Sul do Brasil a “Princesa da Fronteira” é cidade gêmea e faz fronteira seca com sua homônima Aceguá no Uruguai, tendo como divisor uma rua e seu canteiro central.

Esta irmandade entre os dois países tem mais que a relação geográfica, podendo naturalmente, nas duas cidades, ser ouvido um sotaque chamado “portunhol” que mistura português e espanhol, resultado da convivência entre uruguaios e brasileiros.
Aceguá brasileira ocupa uma área territorial de 1.551,12 quilômetros, divididos em três distritos: Rio Negro – Colônia Nova e Minuano, a partir da Lei Complementar 001/2001.
De uma população de cerca de 4,5 mil pessoas, aproximadamente, cerca de 75% residem na área rural, com presença das etnias alemã, espanhola, italiana, portuguesa e quilombolas.
A economia de Aceguá tem base num admirável potencial agropecuário, com destaque especial para uma considerável bacia leiteira, gado de corte, culturas de arroz, soja e mais recentemente também a olivicultura. Além disso, ganham igualmente destaque, os haras, com criação de cavalos de raça.
Na gastronomia se destacam, além do churrasco, também a parrillada e comidas típicas, alemãs e italianas.
A padroeira de Aceguá é Nossa Senhora Conquistadora e além da religião católica apostólica romana, também existem as denominações evangélica, menonita e espírita.
Os principais eventos culturais e que ganham destaque com programações elaboradas com grande participação comunitária são os que comemoram o mês de aniversário do município, a semana farroupilha, semana da pátria e o Natal do Pampa.
Aceguá se notabiliza por receber muito bem seus visitantes, acolhidos por uma população de perfil educado, gentil e hospitaleiro. O povo aceguaense sempre recebe de braços e corações abertos, a todos que chegam nesta cativante fronteira.

História

Seus primeiros habitantes foram índios dos campos do Rio Grande do Sul: charruas, guenoas e minuanos. O primeiro relato histórico do município remonta à 1660, quando os espanhóis vindos da banda Oriental penetraram pela serrania de Aceguá, fundando a redução de Santo André dos Guenoas em 1683. A notícia histórica que se tem a seguir sobre o município é de dezembro de 1753, quando os exércitos portugueses e espanhóis, saindo respectivamente da cidade de Rio Grande e da Colônia do Sacramento, iniciaram a marcha em direção a Santa Tecla. Segundo os diários de marcha, o exército português chegou às cabeceiras do Rio Negro, hoje no Uruguai, onde já estava acampado o exército espanhol.

Depois de uma solenidade militar, a primeira solenidade militar em terras de Aceguá, os primeiros tiros de canhão eram ouvidos naqueles céus. Os dois generais conversaram até a noite, e devido às promoções de oficiais que ocorreram na solenidade, este local foi denominado Campo das Mercês, que nos dias atuais é o ponto de encontro dos três distritos do município de Aceguá (Colônia Nova, Minuano e Rio Negro). A origem do nome Aceguá na língua tupi é “yace-guab”, e possui diversos significados: um deles lugar de descanso eterno, indicando o local que os indígenas escolhiam para viver seus últimos dias, por ser um lugar alto que proporcionava alentadora visão panorâmica da região e proximidade com o céu (provável cemitério indígena); outro significado é “terra alta e fria”, características geográfica e climática do local; mais outra interpretação é “seios da lua”, por ser local com cerros altos (Serra do Aceguá). Existe também no folclore popular da região outra explicação para a origem do nome Aceguá, que por ser uma região de abundância de uma espécie de lobo pequeno, denominado Guará ou Sorro, que possui um uivo característico, e por ser há mais de dois séculos El Camino de Los Quileros (contrabandistas castelhanos e portugueses, que circulavam com mercadorias em lombo de cavalos, conforme as demandas de cada um dos mercados da banda Ocidental e Oriental da fronteira). Estes ao passar pelos cerros e ouvir o uivo dos Sorros diziam, “Hay um bicho que hace guá”.

Portanto, a formação da vila do Aceguá é resultante do comércio informal entre os dois países, pois a fronteira seca é um caminho natural entre países limítrofes. Sua etnia é diversificada, composta por descendentes de portugueses, espanhóis, índios e negros, que formaram o gaúcho nos dois lados da fronteira. Posteriormente a região recebeu a colonização alemã, resultante nas comunidades rurais de Colônia Nova, Colônia Médici e Colônia Pioneira, com hábitos e tradições germânicas. Também recebeu a imigração árabe, com costumes e tradições próprias, que passaram a explorar e dinamizar o comércio local.

Aceguá no século XX, principalmente no período após a Segunda Guerra Mundial com a carência de proteína vermelha e de agasalhos na Europa, passa por um período de grande desenvolvimento e fortalecimento da bovinocultura de corte e ovinocultura, produtos altamente expressivos até hoje no PIB do município. Seu comércio é resultado da diferença cambial entre Brasil e Uruguai, sendo esta, na maioria das vezes, favorável ao Brasil, o que atrai os consumidores Uruguaios. Na área de colonização alemã até a década de 1960, a principal atividade econômica era a cultura de trigo. Com fatores de falta de incentivo e concorrência do trigo argentino desestimulando a produção, fez com que estes produtores se voltassem para a atividade de bovinocultura de leite, fortalecendo a Cooperativa Mista Aceguá Ltda. (CAMAL) e tornando-se nos dias de hoje uma das mais importantes bacias leiteiras do Rio Grande do Sul, com produção de matrizes com alto padrão genético.

Fonte: Prefeitura de Aceguá