Prefeito de Bagé autoriza reabertura das atividades na próxima semana

Prefeito de Bagé autoriza reabertura das atividades na próxima semana

Município também lança pacote de medidas para apoio ao comércio e trabalhadores 

 O prefeito Divaldo Lara, acompanhado do vice-prefeito Mário Mena, do  secretário de Saúde, Geraldo Gomes, agentes do governo e representantes de entidades de classe, realizou uma transmissão ao vivo com participação virtual da imprensa e da comunidade, nesta quinta-feira (18 de março).

A íntegra do decreto que vai orientar a reabertura das atividades e outras ações anunciadas ainda não havia sido distribuída à imprensa até o horário do fechamento desta matéria.

A transmissão teve início com explanação de Mário Mena sobre o atual panorama de internações UTI e clínicas, número de casos positivados, ativos e óbitos. Este foi o maior pico desde o início da pandemia e, segundo eles,  a curva já começa a cair, sendo resultado de medidas como o toque de recolher que inibe as aglomerações.
Na oportunidade, Divaldo anunciou pontuais e novas medidas para amenizar os prejuízos causados pelo fechamento do comércio e proibição de atividades por decreto estadual.

Situação epidemiológica

Entre as considerações sobre a situação epidemiológica, Lara e o vice-prefeito, Mário Mena Kalil, apresentaram os dados atualizados pelo município e confirmaram que os serviços de saúde – especialmente os hospitais – operam no limite da capacidade de atendimento, com a UTI Covid da Santa Casa de Caridade de Bagé lotada e praticamente todos os leitos clínicos também ocupados. Porém, a situação mais preocupante declarada pelos gestores é que a Santa Casa de Caridade de Bagé não recebe repasses relacionados ao Sistema Único de Saúde e que o estoque de medicamentos utilizados para atender aos pacientes da UTI Covid poderá acabar em duas semanas.

Segundo o prefeito, Bagé ainda não tem circulação, até o momento, de variantes do vírus SARS-CoV-2, que se provaram mais resistentes e agressivas aos pacientes infectados.

Pacote

O pacote de ações inclui isenção do IPTU por 90 dias aos estabelecimentos que tiveram que fechar pela pandemia, isenção do IPTU por 90 dias para o trabalhador comprovadamente demitido entre os meses de fevereiro a abril, isenção de taxas de alvarás dos estabelecimentos fechados, prorrogação de 90 dias das negativas dos fornecedores do município e isenção de IPTU por seis meses para imóveis de pessoas na linha de extrema pobreza, mediante cadastro confirmado pela Secretaria Municipal de Assistência Social, Habitação  e Direitos do Idoso (Smasi).

Além das isenções fiscais, a equipe anunciou o fechamento de praças e avenidas nos próximos dois fins de semana. “São medidas adotadas para amenizar o sofrimento da população que está lutando há um ano inteiro contra este vírus”, ressalta Divaldo.

Também foi revogado o decreto que permite que os servidores públicos municipais do grupo de risco trabalhem de casa. O ponto continua sendo facultativo, porém com desconto salarial para aqueles que optarem por ficar em casa.

Um dos principais anúncios foi a intenção do Governo Municipal de abrir o comércio a partir de segunda-feira (22), após avaliação da confirmação da queda na curva de coletas e contaminados. “Vamos abrir a cidade e trabalhar com os protocolos de segurança, com forte repressão às aglomerações, principalmente à noite”, declarou o prefeito. Além  de garantir a volta do funcionamento dos setores afetados pelo fechamento, Divaldo prevê medidas duras e firmes para o feriado de Páscoa.

Na prática, de acordo com Kalil, Bagé volta à bandeira vermelha na segunda-feira e utilizará os protocolos do penúltimo estágio da escala de crise para manter as atividades em funcionamento, monitoradas pelas autoridades de saúde.

Vacinação

Por ordem do Executivo, todos os agentes de segurança da Brigada Militar, Polícia Civil, agentes penitenciários da ativa serão vacinados dentro do processo que se inicia amanhã.

Nesta sexta-feira, começa o processo de vacinação para a faixa de 74 anos; no sábado, 73 anos e no domingo, idosos com 72 anos. Bagé recebeu 3,5 mil doses da vacina Coronavac hoje.

Novos leitos
A equipe visitou, nesta quinta-feira, a Santa Casa e o Hospital Universitário. “Conseguimos a garantia de mais 20 leitos HU e 10 Santa Casa, se necessário for, com regulação para Bagé, ou seja, para atender os pacientes daqui. Também estamos mandando R$ 70 mil para Santa Casa para compra de medicação necessária para as internações”, anunciou o prefeito, pontuando que o Governo do Estado está em dívida com a instituição.

Embate com Estado e Ministério Público

O que ficou claro na linguagem do líder do Executivo é que a partir da agora, Bagé não vai seguir as regras decretadas pelo governo do Estado, adotando protocolo da bandeira vermelha, além de questionar a atuação tanto do Piratini, quanto do Ministério Público. Isso porque durante a coletiva, Lara apresentou uma recomendação do MP, na qual ele alega ter sido coagido a acionar a Brigada Militar para coibir as atividades comerciais não-essenciais, além de cassar o alvará de quem for pego descumprindo as regras da bandeira preta e que esses empresários também poderiam responder na esfera criminal. Além disso, caso o próprio prefeito não seguisse a recomendação, poderia também responder na esfera criminal e administrativa, com risco de ser processado por crime de responsabilidade. Lara também deu a entender que não vai seguir as solicitações do MP e desafiou a promotoria a sair às ruas para ver a situação das famílias e dos estabelecimentos fechados por conta dos protocolos da bandeira preta.

A íntegra do documento utilizado pelo prefeito para tecer críticas ao MP de Bagé não foi divulgada à imprensa.

Em relação ao governo do Estado, Lara alegou que a Santa Casa de Caridade de Bagé, principal hospital da região no atendimento a pacientes com a covid-19, tem ao menos R$ 500 mil de recursos em atraso para receber do Piratini e que a prefeitura teve que socorrer a instituição.

Ele também atacou a postura do governador Eduardo Leite de manter o comércio não-essencial fechado, por conta da crise na saúde, com a justificativa de que não são as empresas que causaram a explosão de casos de covid-19, e sim as aglomerações clandestinas e as viagens de carnaval. Por esta razão, o município terá um toque de recolher e também deverá fechar praças e ruas na região central da cidade para evitar aglomerações. “O problema não tá no trabalhador honesto. O problema tá na noite, no bolinho, na festinha, na aglomeração clandestina”, disse o prefeito.

Capa Cidades Comunidade Uncategorized