Superlotação das UTIs Covid em outras cidades do RS gera impactos na região

Superlotação das UTIs Covid em outras cidades do RS gera impactos na região

Pacientes de outras cidades do Estado são atendidos em Bagé e Dom Pedrito

 A explosão de novos casos confirmados e internações em unidades de terapia intensiva por covid-19 ocasionou uma situação que ainda não tinha ocorrido na região da 7ª Coordenadoria Regional de Saúde. Hoje, entre pacientes com suspeita ou diagnóstico confirmado de outras regiões do Estado são atendidos em Bagé e Dom Pedrito, por conta da superlotação nas regiões de origem.

Na Santa Casa de Caridade de Bagé, a UTI Covid contabiliza quatro pacientes confirmados – um de Bagé, um de São Vicente do Sul, um de Quaraí e o último, de Pantano Grande. Em leitos clínicos, são 14 casos confirmados, todos de Bagé. Em números, significa que a cidade tem hoje 80% dos leitos de UTI Covid ocupados.

Em Dom Pedrito, o número sobe para sete pessoas. São três casos suspeitos – um de Jaguarão, um de Rio Pardo e um de Cachoeirinha; além dos confirmados por infecção pelo vírus SARS-CoV-2: dois de Dom Pedrito, um de São Borja e um de Arroio Grande. Em leito clínico, é contabilizada somente uma pessoa, residente da Capital da Paz. A lotação atual da UTI Covid em Dom Pedrito está em 70%.

‘Situação caótica’ no Estado

O titular da 7ª CRS, Ricardo Necchi, não fez floreios e foi direto ao ponto quanto à situação da pandemia no Estado e região: “Por enquanto, nossa situação está mais tranquila, mas o RS está em uma situação caótica, principalmente a região Metropolitana, Serra e Litoral Norte. É um momento muito preocupante, pois há um ano, já alertávamos a comunidade para manter as medidas de distanciamento físico e evitar aglomerações. Outro problema que enfrentamos é o negacionismo da doença e o ‘terraplanismo’ em relação à pandemia, promovido até por lideranças, que deveriam dar o exemplo”.

Falta muito para volta da normalidade

Mesmo que a situação pareça no momento sob controle, Necchi alertou reiteradamente que as aglomerações nas praias, festas clandestinas e festejos de carnaval têm alta probabilidade de colocar em risco o trabalho das autoridades de saúde, inclusive na região. “Temos aqui alguns fatores de risco que acabaram por estarmos nessa situação. Uma delas é que as pessoas, principalmente os mais jovens, parecem ter se cansado de ficar em casa e é entre este público que o vírus tem circulado, principalmente. Outra questão importante é que com o início da vacinação, as pessoas parecem ter pensado que a normalidade voltaria rapidamente. O ritmo da vacinação ainda é lento devido à falta de disponibilidade e alcance, o que não nos dá uma amostra suficiente para dizermos que a população está protegida. Isso quer dizer que não temos cobertura vacinal suficiente para voltarmos à normalidade. Por tudo isso, as questões relacionadas ao distanciamento continuam valendo, mais do que nunca”, afirmou.

Alerta

O alerta do titular da 7ª CRS, que também atua como médico no CTI da Santa Casa de Caridade de Bagé, é claro: “Prevemos mais casos, internações e óbitos nas próximas semanas e os excessos cometidos nos dias de carnaval poderão causar um colapso no sistema de saúde, com mais pessoas precisando de internação do que vagas disponíveis. Por isso, faço o apelo à população de que resguarde, pois a região também vai sentir os efeitos dos problemas que estão acontecendo no restante do Estado”.

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