Taxistas repercutem morte de colega com 23 anos de atuação em Bagé

Taxistas repercutem morte de colega com 23 anos de atuação em Bagé

Bagé contabiliza segunda morte violenta entre motoristas profissionais em 65 dias

Uma das categorias profissionais mais expostas à violência armada mais uma vez ficou em luto. Isso porque hoje, 5 de março, mais um taxista veio a óbito, 36 dias após ser baleado durante um assalto em Bagé. Ailton Márcio Ribeiro Alvira, 45 anos, não resistiu aos ferimentos de um disparo no rosto e morreu.

De acordo com o representante da comissão provisória do sindicato dos taxistas, Rafael Rodrigues Feres, que trabalha no mesmo ponto que Alvira, na praça do Coreto, centro de Bagé, os colegas ainda estão absorvendo a notícia da morte do colega de profissão. “É ainda muito recente e impactante. Márcio – como era conhecido pelos colegas – tinha 23 anos de atuação no ramo e sempre trabalhou no mesmo local”, explicou.

Feres elogiou a atuação rápida da polícia em capturar os criminosos envolvidos no latrocínio e lamentou que a categoria ainda corra riscos diários a cada passageiro que pega para transportar. “A polícia é ágil e eficaz na ação de captura dos criminosos, mas a vulnerabilidade é grande pois não conseguimos detectar quem é de boa ou má índole ao embarcar no veículo”, comentou.

Uma das dificuldades em coibir esse tipo de crime contra motoristas profissionais, segundo Feres, é a imprevisibilidade deste tipo de ocorrência. “A investigação após a ocorrência tem se mostrado efetiva – os autores dos crimes são detidos rapidamente -, porém, ainda temos muito a melhorar na questão do monitoramento e prevenção”, enfatizou.

Para atestar o latrocínio consumado, ainda é necessário o laudo pericial para confirmar se foi o incidente de 28 de janeiro que realmente determinou a causa da morte de Alvira. Porém, devido às circunstâncias do crime e o tipo de ferimento causado à vítima, é praticamente certo que a ação armada resultou no óbito, o que deve aumentar significativamente a pena a ser imposta aos autores do crime.

O taxista deixa esposa e dois filhos.

Vulnerabilidade

O caso que levou à morte de Alvira aconteceu somente 65 dias após outro incidente violento que resultou em óbito de um taxista –  neste caso, é levada em consideração a data do crime, e não quando o óbito ocorreu. Em 24 de novembro de 2020, outro taxista, Silvanio Camponogara Fontana, de 50 anos, foi morto também com um tiro no rosto.  Assim como aconteceu em janeiro, o latrocínio de Fontana envolveu a ação de três criminosos e o caso também foi solucionado pela investigação policial, que prendeu os três autores do delito.

Dias antes do ataque contra Alvira, em 24 de janeiro, outro taxista que trabalha na rodoviária de Bagé foi rendido por dois homens e uma mulher, em incidente onde os assaltantes ameaçaram a vítima com uma arma de fogo, roubaram a quantia de R$ 120 e fugiram.

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