Vamos falar de estiagem?!

Vamos falar de estiagem?!

Nós gaúchos sabemos o que é sofrer com os efeitos da falta de chuvas. As perdas são quase incalculáveis, sem falar nos transtornos que cada família passa. Seja na zona urbana quanto na rural. Quando falo na rural, não me refiro SOMENTE aos grandes produtores que tem seguro de suas lavouras e precisam de programas de apoio, mas também a agricultura familiar que é quem coloca alimento na nossa mesa. Dos produtores que racionam água até para dar de beber aos animais.

Quando falo em zona urbana, lembremos do quanto sofremos com a falta da água própria para beber. Muitos municípios estão atentos, inclusive com decretos de emergência. Outros ainda não! Em algumas cidades já tem previsão de racionamento e aí segue a mesma novela, 12 horas com água, 12 horas sem. Ou até menos!

Na semana passada, li que o governador Eduardo Leite e algumas autoridades da região se reuniram para tratar das ações do governo estadual para mitigar os efeitos da estiagem. Mais de 170 municípios estão em situação de emergência. E na prática, o que está sendo feito?

Cada gestão tem sua prioridade. Assim como há gestores que buscam ações efetivas para, pelo menos, dar mais segurança e conforto aos cidadãos. Outros, por sua vez, batem na mesma tecla, esbravejam, prometem e nada resolvem. Um exemplo bom, e não é por ser da minha terra, a pequena Lavras do Sul, é que o chefe do Executivo, pensando nas comunidades da zona rural, adquiriu caixas d’água – com recursos próprios da prefeitura, através da Secretaria de Planejamento, para auxiliar os moradores. Isso por que o gestor entende que o momento que assola o Estado e os municípios é crítico, e enquanto gestão precisa-se oferecer condições e qualidade de vida, principalmente com abastecimento de água potável para o consumo.

Em Hulha Negra, mais de 130 famílias do interior do município foram beneficiadas com a troca do reservatório de água do assentamento Che Guevara. A caixa, com capacidade para armazenar 25 mil litros de água, foi substituída. A cidade é abastecida exclusivamente por poços artesianos, então, já está realizando racionamento e utilizando caminhões-pipa para levar água ao interior.

E não, não estou comparando cidades grandes e pequenas, estou mostrando fatos.

 

E Bagé?

Ahhh… Aí vem assunto polêmico, histórico e se pode dizer, político. Entra governo, sai governo. Troca-se as carinhas, mas os piores problemas seguem. Esperamos que um dia isso mude. É um assunto polêmico sim, pois todos têm um lado para contar, mas um lado sempre quer dizer que fez mais que o outro. É histórico, muitas gerações enfrentam a estiagem racionando água até para beber. E a tão falada Barragem da Arvorezinha, que é muito lembrada nas campanhas eleitorais? Continua sendo somente falada! 4 anos não é suficiente, 8 também não, 12 não, 16 não, 20 também não e assim se vai…

A última notícia que temos, dentre as tantas que apareceram nos últimos tempos é que, no início de dezembro (mês passado), militares do Exército Brasileiro do 1º Batalhão Ferroviário de Lages (SC) estariam atuando no canteiro de obras da Barragem, dando início efetivo à construção do reservatório. Consta que armazenará 18 bilhões de litros de água em 322 hectares, resolvendo definitivamente a falta de água na cidade. Esperamos que resolva mesmo!

Aguardemos os próximos capítulos, pois a população bageense já teve tantas datas (décadas) previstas para o início efetivo da obra, tantas promessas de “não vai ter racionamento”, que agora vive um dia de cada vez. Esperando ver para crer! Por que de promessa e marketing o povo está cheio. Vale lembrar também da Barragem Taquarembó. Cada vez mais necessário tocar nestes assuntos.

Enfim, sem delongas, a intenção aqui foi muito além de informar. Busquei trazer situações de pequenas e grandes cidades, problemas históricos e também um alerta aos políticos que muitas vezes lembram das grandes lavouras, do troca-troca de sementes, de aumentar prazos e diminuir juros, mas não esqueçam da agricultura familiar, pois vou repetir: é ela que coloca comida na nossa mesa.

Essa é a primeira coluna No Fio da Notícia, então mais uma vez vou ressaltar: é uma coluna de opinião. Cada um tem a sua. E viva a democracia e a liberdade de expressão!

No Fio da Notícia_